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Ausência de Lula abre uma cratera no cenário pré-eleitoral

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Por Upiara Boschi
16/04/2018 - 11h23 - Atualizada em: 16/04/2018 - 11h27

A ausência de Lula na corrida presidencial abre uma cratera na corrida presidencial. É isso que mostra a aguardada pesquisa Datafolha realizada após a prisão do líder petista. Sem ele na cartela, quase um terço do eleitorado se apresenta indeciso e os dois nomes que despontam - Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede) -  apresentam menos de 20% das intenções de voto, além de frágeis estruturas partidárias e de apoio nos Estados.

Como essa cratera vai ser preenchida é a grande questão que se colocará até 5 de agosto, prazo final para as convenções partidárias. Em uma disputa normal, esse vazio seria normalmente ocupado por um candidato petista e um candidato tucano, produtos da polarização que briga pelo Planalto desde 1994.

Mas não estamos falando de uma eleição normal. PT e PSDB são os maiores alvos do descrédito da classe política pós Lava-Jato. Se a militância petista cerrou fileiras junto a seu líder - em tom até messiânico -, os tucanos estão derretendo. Em 2014, 51 milhões de pessoas saíram de casa para votar no senador Aécio Neves para presidente e hoje ele é forçado por setores do partido a nem concorrer à reeleição para não contaminar candidaturas aliadas.

O ex-governador Geraldo Alckmin, presidenciável tucano, empata com Ciro Gomes (PDT) em quarto lugar na faixa dos 6%. A força do partido nos Estados e uma ampla aliança podem colocar o paulista no jogo. Da mesma forma, o nome ungido pelo PT - Fernando Haddad, provavelmente - vai crescer amparado na “Paixão de Lula” que as lideranças petistas promovem junto ao eleitorado fiel do ex-presidente. Esses fatores podem colocar as candidaturas tucana ou petista em um segundo turno, dificilmente uma contra a outra.

Bolsonaro é hoje uma ideia - parafraseando marotamente a frase de Lula, desculpe, leitor. Fala-se muito nele, mas não passa dos 17% no Datafolha, embora lidere. A resiliência de Marina Silva, 16%, sem apoio nos Estados, sem lideranças de peso ao seu redor, sem onda nas redes sociais e nos grupos de Whatsapp impressiona. Assim como a presença de Joaquim Barbosa, recém-filiado ao PSB, com 10%. Se entrar no jogo, tem chance de roubar eleitores à direita, ao centro e à esquerda.

Desde que as eleições nacionais e estaduais foram vinculadas, em 1994, as composições de cima sempre influíram nas de baixo. Não seria diferente este ano se fosse uma eleição normal. Não é, já disse. No cenário fragmentado que se apresenta, apenas Alckmin teria condições de mexer no tabuleiro eleitoral em Santa Catarina - forçando apoio ao PSD ou ao PMDB, por exemplo. Do jeito que está, somente em um segundo turno haveria atrelamento direto entre candidaturas a governador e a presidente. O abraço dos sobreviventes.

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