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    Governo Moisés perde força em seu bunker na Alesc

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    Upiara
    Por Upiara Boschi
    03/03/2020 - 18h50 - Atualizada em: 03/03/2020 - 18h52
    Paulinha (PDT), nomeada por Moisés como líder do governo, e Ivan Naatz (PL), autonomeado líder da oposição, devem protagonizar embates na CCJ. Foto: Bruno Collaço, Agência AL/Divulgação
    Paulinha (PDT), nomeada por Moisés como líder do governo, e Ivan Naatz (PL), autonomeado líder da oposição, devem protagonizar embates na CCJ. Foto: Bruno Collaço, Agência AL/Divulgação

    Até o final do ano passado, o governador Carlos Moisés (PSL) tinha um suporte na sua relação com a Assembleia Legislativa. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) contava com uma maioria de aliados que conseguia barrar boa parte das pretensões da oposição difusa que se formava contra sua administração. Uma espécie de bunker.

    Era o contraponto, com maior peso porque todos os temas passam pela CCJ, à Comissão de Finanças - a câmara de gás. As sucessivas derrotas em votações envolvendo revisão de benefícios fiscais deixaram clara essa diferença entre as duas principais comissões da Assembleia, uma controlada pelo governo, outra pela oposição.

    Neste começo de 2020, uma imagem basta para mostrar o quanto mudou o cenário para Moisés: o oposicionista Ivan Naatz (PL), eleito vice-presidente, comandou a reunião da CCJ nesta segunda-feira. Ao lado dele, era nítido o desconforto da líder do governo, Paulinha (PDT). Ela e Naatz antagonizam desde os primeiros dias no parlamento. Quando Moisés nomeou a pedetista como sua líder no parlamento, ganhou automaticamente um líder da oposição autonomeado.

    Mas não fica só nisso. Novamente focado na Alesc após o fim do mandato como presidente da União Nacional dos Legisladores e Legislativos (Unale), Kennedy Nunes (PSD) reassume sua cadeira na CCJ. Vem disposto a ser uma voz forte de oposição a Moisés - preste atenção, leitor. Foi a volta de Kennedy e seu gesto de abrir mão da vice-presidência da CCJ, que era ocupada ano passado pelo colega Milton Hobus (PSD), que garantiu a permanência de Naatz na comissão.

    Agora filiado ao PL, ele havia sido indicado para a CCJ pelo bloco parlamentar formado pelo PV, seu antigo partido. A eleição como vice-presidente foi a brecha que permitiu a continuidade de Naatz na comissão mesmo sem representar o bloco PP/PSB/PRB/PV que o indicou em fevereiro de 2019.

    Na ponta do lápis, a correlação de forças é a mesma do ano passado. Mas as seguidas ausências de Romildo Titon (MDB) da presidência após a condenação no Tribunal de Justiça no julgamento dos crimes apurados pela Operação Fundo do Poço vão colocar Naatz frequentemente na ponta da mesa. Além disso, existe a expectativa sobre a posição de Maurício Eskudlark (PL), ex-líder do governo, mas com o PL servindo de barriga de aluguel para os bolsonaristas do futuro Aliança e sendo parceiro dos dissidentes do PSL na Assembleia.

    Esse clima de enfraquecimento da base governista perpassa a CCJ e chega ao plenário. Foi assim que no final da tarde desta terça-feira um plenário esvaziado aprovou requerimento de Naatz para que Jorge Tasca, secretário da Administração, fosse convocado para explicar a polêmica equiparação salarial entre promotores que motivou o engavetado pedido de impeachment contra Moisés. Um caso que ainda gera desconforto no Centro Administrativo.

    Na última reunião de colegiado do governo Moisés, segunda-feira, a pastora Mariza Ferreira, da Igreja A Verdade Que Liberta, foi a convidada especial. Com a palavra, ela pediu ao governador, à vice Daniela Reinehr, à líder Paulinha e aos secretários que dessem as mãos para uma oração. Sem base parlamentar, é o que resta.

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