A política catarinense voltou seus olhos para Brasília durante a tarde de ontem. Era na capital do País, especialmente no Congresso Nacional, que se conduziam as conversas que têm o poder de encaminhar as eleições estaduais. Dois blocos políticos ganhavam força nos diálogos.
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Pré-candidato do PSD ao governo, o deputado estadual Gelson Merisio foi à Câmara dos Deputados para encontros decisivos – não definitivos – com os deputados federais Esperidião Amin (PP) e João Paulo Kleinübing (DEM). Ambos também são pré-candidatos a inquilinos da Casa d’Agronômica e os encontros de ontem ensaiaram a formatação de uma chapa.
A proposta de Merisio, em nome do PSD, é de que Amin confirme sua candidatura ao Senado em parceria com o ex-governador Raimundo Colombo (PSD) e que Kleinübing seja o vice-governador em sua chapa. O PSB do ex-deputado federal Paulo Bornhausen já estaria acertado e ficaria com as primeiras suplências dos senadores – além de posições de destaque em um eventual governo.
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Os sinais que vinham de Brasília no início da noite era de que as conversas foram produtivas. Na sexta-feira, em Florianópolis, uma reunião ampliada entre as principais lideranças dos quatro partidos deve bater o martelo sobre a aliança. Amin e Kleinübing ganharam um dia para consultar suas bases, analisarem cenários e discursos.
Se for confirmada a formatação, Merisio vai para a eleição com uma chapa de peso. Dois ex-governadores, um ex-prefeito com sobrenome de ex-governador. Regionalmente, Oeste na cabeça-de-chapa, Blumenau na vice, Lages e Florianópolis no Senado. Há equilíbrio, apesar de ausência de Joinville. Uma aliança entre PSD, DEM, PP e PSB em Santa Catarina praticamente reaglutina o antigo PDS do Estado – uma volta às raízes.
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Enquanto Merisio buscava acerto com a velha democracia social, do outro lado do rio havia rumores de volta à raízes também em torno dos herdeiros do velho PMDB. Pipocavam informações de que a composição entre emedebistas e tucanos seria iminente, com o senador Paulo Bauer (PSDB) aceitando concorrer à reeleição e cedendo a cabeça-de-chapa ao deputado federal Mauro Mariani. Seria uma reação ao bloco em torno de Merisio, uma forma de evitar o isolamento dos dois partidos.
As conversas entre Bauer e Mariani existem, mas até agora esbarram na rejeição de ambos em ceder a candidatura ao governo. No início da noite, Bauer negou o entendimento e garantiu que mantém a pré-candidatura. Na segunda-feira, o PSDB reúne prefeitos e as lideranças que vão disputar vagas na Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. É a hora de Bauer inflamar a tropa tucana e medir seu engajamento. A base do PSDB comprou a tese da candidatura própria, o que dificulta a composição com os emedebistas. Há quem diga que se o senador aceitar apoiar Mariani, não conseguirá levar o partido. O ex-prefeito blumenauense Napoleão Bernardes assumiria a candidatura do PSDB com postura de franco-atirador.
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Veja as entrevistas de Merisio, Amin e Kleinübing no Cabeça de Político
