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    Análise política

    Merisio deixa o partido que ajudou a criar em busca de reconstrução no PP

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    Upiara
    Por Upiara Boschi
    28/05/2019 - 05h00 - Atualizada em: 28/05/2019 - 12h35
    Merisio entregou a desfilição ao vice-presidente estadual do PSD, Antonio Ceron. (Foto: Divulgação/PSD)

    Gelson Merisio foi um dos protagonistas da política catarinense na última década. Faço esse corte porque alcança seu primeiro mandato, repartido, como presidente da Alesc, em 2010, e vai até 1.075.242 votos que recebeu nos segundo turno das eleições para o governo do Estado em 2018. Um número de votos eloquente se visto por si só, mas que significou uma derrota de 71% a 29% para o governador Carlos Moisés (PSL) e sua Onda 17.

    Fechadas as urnas, Merisio submergiu. Jogou tudo na roleta eleitoral, fez a composição que quis, desagradou parceiros, recebe críticas até quem se beneficiou da composição montada por ele. Evita reagir e ser, neste momento, um contraponto aos atos do governo Moisés – condição que a urna lhe deu. Nesta segunda-feira (27), Merisio oficializou um movimento que já era dado como certo nos bastidores, mas que mesmo assim impressiona.

    Presidente do PSD estadual, apresentou ao vice Antonio Ceron sua carta de desfiliação do partido que ajudou a criar em 2011 – quando o então governador Raimundo Colombo aceitou o convite de Gilberto Kassab para trazer as lideranças do DEM de SC para seu novo partido.

    Nesse período, Merisio foi o presidente pela maior parte do tempo. Suas articulações consolidaram o partido nas disputas municipais, mas também fizeram com que batesse com cabeça com caciques como Colombo e Júlio Garcia, hoje de volta à Assembleia como presidente. A dupla não queria o fim da aliança entre PSD e MDB, Merisio sabia que só seria candidato a governador com ela extinta e os emedebistas como adversários.

    A derrota eleitoral, mesmo que estivesse certa a tese de que o MDB era um peso na chapa naquele momento, atiçou os adversários internos, insuflou críticas – e a carona nelas até de quem sempre se beneficiou das articulações do ex-deputado. Merisio deixa o PSD medindo as palavras, mas se afastando de Colombo, Júlio Garcia e do silencioso bombardeio do ex-senador Jorge Bornhausen. No PP encontrará um partido consolidado na base, mas à procura de um rumo. As urnas consagraram o senador Esperidião Amin como liderança inconteste do partido, mas dizimaram outros setores. Merisio se soma a um projeto que ainda não tem nome.

    Leia também: O flerte entre o PP e Merisio

    Muitos perguntam qual é o futuro do ex-deputado. O imediato é o da reconstrução da base política. Depois disso, dependerá do desempenho de Moisés no governo, das articulações de Júlio Garcia e Colombo para dar outro rumo ao PSD, entre outras variáveis, e da própria atuação do ex-pessedista. Certo é que nunca é bom descartar quem recebeu mais de um milhão de votos numa eleição estadual.

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