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Moisés reafirma não ser "mini-Bolsonaro"

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Por Upiara Boschi
10/06/2019 - 06h00
Governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva. (Foto: Diorgenes Pandini / NSC Total)

Na primeira entrevista que deu como candidato a governador de Santa Catarina, em agosto de 2018, um praticamente desconhecido Carlos Moisés da Silva (PSL) disse a mim e ao colega Augusto Ittner não ser um “mini-Bolsonaro”. Próximo da metade do primeiro ano de um governo em que foi eleito com 71% dos votos na carona do 17 do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o governador concedeu uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em que acaba reforçando as diferenças em relação ao comandante do Palácio do Planalto.

Na nova entrevista, Moisés lembra que foi criticado internamente por aquela frase, já que toda a ideia da campanha do PSL-SC era colar no prestígio do Bolsonaro entre os catarinenses - onde teve 75% dos votos válidos no segundo turno. Ao Estadão, o governador disse que Bolsonaro deveria priorizar pautas mais relevantes - e citou a regulamentação do estudo em domicílio e as mudanças no código de trânsito como exemplos de temas que não deveriam ser temas centrais de governo.

Moisés posicionou-se como um homem de centro-direita, disse não ter “ojeriza à defesa de minorias” e lembrou que recebeu no gabinete o movimento Mães pela Diversidade e o Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

— Em Santa Catarina temos 20 mil famílias assentadas. Elas existem. Não são uma ficção. Um estadista tem que governar para todas as pessoas.

A entrevista foi comemorada no Centro Administrativa e teve endosso discreto de outras lideranças do partido. O PSL catarinense e o governo Moisés vivem um bom momento. No campo da gestão, a aprovação sem votos contrários da reforma administrativa, embora tímida e com algumas concessões, dissipa um pouco o temor de que o inexperiente Moisés não soubesse dialogar com o parlamento.

No partidário ainda existem alguns focos de disputa interna acirrada - Joinville e Palhoça, especialmente - mas há uma trégua entre o presidente estadual Lucas Esmeraldino e os deputados federais Carolina de Toni, Daniel Freitas e Coronel Armando. A executiva do estadual do partido, que vence no final do mês, deve ser prorrogada sem discussões. Esmeraldino e a bancada federal ainda tentam trazer para Santa Catarina a convenção nacional do partido.

Nas redes bolsonaristas do Estado, no entanto, a entrevista ao Estadão foi fortemente criticada. Especialmente a diferenciação em relação a Bolsonaro, como se o governador desse as costas à onda que elegeu o desconhecido coronel reformado dos Bombeiros.

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Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

upiara.boschi@somosnsc.com.br

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