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Socialismo pefelista

O dilema do PSB em Santa Catarina

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Por Upiara Boschi
04/11/2018 - 16h45 - Atualizada em: 04/11/2018 - 16h45

Em agosto de 2013, o então governador pernambucano Eduardo Campos vinha a Santa Catarina para um roteiro de pré-candidato à presidência da República que tinha uma missão extra: filiar Paulo Bornhausen ao PSB e dar a ele o comando estadual da sigla. Era uma nova tentativa de fazer o partido deslanchar no Estado, dentro de uma lógica de transformação da antiga legenda de Miguel Arraes em uma opção mais ao centro do espectro ideológico.

Eduardo Campos foi vítima de um acidente aéreo logo nos primeiros dias campanha presidencial de 2014. Sem ele, o PSB perdeu o projeto presidencial e se tornou um partido de diversas ilhas - uma delas, a de Bornhausen em Santa Catarina. O pernambucano não pôde ver o projeto dar resultados no Estado, como esperava depois das tentativas mal-sucedidas com o empresário Antônio Carlos Sontag e a família Berger.

Sob a batuta de Bornhausen, o PSB catarinense foi um dos poucos partidos que sobreviveu à Onda Bolsonaro e conseguiu crescer no Estado. Em 2014, primeira eleição que disputou disputou nessa condição, o PSB elegeu dois deputados estaduais e ficou na primeira suplência de uma vaga na Câmara - Bornhausen ficou em segundo lugar na disputa pelo Senado, 136 mil votos atrás do eleito Dário Berger (MDB).

Este ano, o partido avançou: três cadeiras na Assembleia - Bruno Souza, Laércio Schuster e Nazareno Martins - e uma na Câmara, com Rodrigo Coelho. Bornhausen optou por não disputar a eleição e focar na montagem das alianças e chapas, atrelado ao projeto estadual de Gelson Merisio (PSD). Esse é o lado da história que deu certo.

Há, no entanto, um grande dilema para o partido. Em meio à onda conservadora que tem em Santa Catarina quase um epicentro, estar no Partido Socialista Brasileiro é um desconforto. A orientação nacional de rejeitar durante a campanha apoios ao hoje presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) provocou e ainda provoca estragos em outra conquista do PSB-SC, as prefeituras de importantes cidades do Estado. No primeiro turno, o prefeito chapecoense Luciano Buligon foi expulso pela direção nacional horas depois de anunciar apoio ao 17. No segundo turno, os caciques foram mais tolerantes com as adesões de Mario Hildebrant, de Blumenau, e Fabrício de Oliveira, de Balneário Camboriú - para este, Bolsonaro chegou a gravar um vídeo de agradecimento.

Prefeitos podem mudar de partido sem restrições, ao contrário dos deputados, e isso está na mesa neste momento. Temem que o partido seja uma âncora daqui dois anos, na hora de buscar a reeleição. Em Brasília, dirigentes do PSB dos Estados do Sul, incluíndo Bornhausen, questionaram os caciques sobre o atrelamento à campanha de Fernando Haddad no segundo turno e às notícias de formação de um bloco com PCdoB e PDT na Câmara. Voltaram com a promessa de que essa aliança não acontecerá e que o partido terá um tom independente. É com essa garantia que Bornhausen espera manter os prefeitos e a coesão do projeto - até agora bem sucedido - do socialismo pefelista em Santa Catarina.

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