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Análise política

O outubro crucial do MDB 

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Por Upiara Boschi
20/08/2019 - 06h00
Eleito presidente da legenda em Santa Catarina em junho, o deputado federal Celso Maldaner (Foto: Agência Câmara / Divulgação)

O MDB é ao mesmo tempo o maior e mais capilarizado dos partidos - no Brasil e em Santa Catarina - e a legenda que mais sofre o desgaste da política tradicional. Essa condição fará com que outubro seja um mês crucial para o futuro dos emedebistas. É nesse mês que serão realizadas as convenções municipais e a nacional, definindo até onde vai a disposição do partido em renovar-se.

Aqui no Estado, o MDB estadual marcou as convenções nas cidades para 19 e 20 de outubro. Eleito presidente da legenda em Santa Catarina em junho, o deputado federal Celso Maldaner tem corrido o Estado para acender a chama e a moral dos emedebistas - em frangalhos depois dos resultados da eleição de outubro do ano passado, com um inédito terceiro lugar na disputa pelo governo.

Desde então, realizou roteiros em que visitou oito cidades do Meio Oeste, 28 no Sul e oito no Planalto Norte. Demonstra energia, mas os discursos sempre esbarram na questão nacional. A expectativa é de que a convenção nacional seja realizada antes das municipais, no começo de outubro. Ainda são nebulosos os cenários. Maldaner defende a renovação da cúpula nacional, marcada pelas denúncias, escândalos e equívocos da turma ligada ao ex-presidente Michel Temer e ao atual comandante da legenda, o ex-senador Romero Jucá.

Em entrevista ao Estadão, o ex-senador Pedro Simon - eterno ombudsman emedebista - chegou a dizer que teme pelo fim do partido se a atual cúpula nacional se mantiver no comando. Pode ser a senha de uma debandada de prefeitos e vereadores com medo de perderem potencial de reeleição, em um primeiro momento.

Na oposição à cúpula, o MDB catarinense acompanha os movimentos que podem resultar na candidatura da senadora sul-mato-grossense Simone Tebet, do ex-governador gaúcho José Ivo Sartori, do deputado federal goiano Daniel Vilela e do governador Ibaneis Rocha, do Distrito Federal. Há muito ainda por costurar.

Claro que apenas a troca de nomes no comando não é suficiente. O MDB busca um caminho, uma trilha para percorrer. Há quem diga que o partido hoje está em disputa entre se manter controlado por uma cúpula corrompida e ou ser linha auxiliar do bolsonarismo. É pouco. Das dezenas de partidos que se se enquadram no centro do espectro político, o MDB é o único que tem real militância. Ela precisa ser ouvida. De todos os partidos brasileiros, é o mais apto para encarnar a bandeira municipalista. Precisa, no entanto, exorcizar seus fantasmas.

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Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

upiara.boschi@somosnsc.com.br

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