Está montada uma inegável polarização na política nacional desde que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, anulou as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e restabeleceu, ao menos por enquanto, seus direitos políticos. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem agora um adversário automático capaz de lhe fazer frente em uma largada eleitoral – o que não havia até então.

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Essa constatação de que o jogo polarizou não descarta e nem anula as tentativas de consolidação de uma candidatura presidencial que represente uma terceira via. Talvez até seja benéfico aos postulantes à condição de “nem-nem” a entrada de Lula no cenário em que Bolsonaro navegava sozinho. Sem o ex-presidente, a esquerda acabaria aglutinada em uma candidatura frágil – como a do ex-prefeito paulistano Fernando Haddad – enquanto um quadro de múltiplas candidaturas poderiam repetir 2018.

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O cenário polarizado entre duas candidaturas fortes – o ex-presidente e o atual, a esquerda e a direita, o passado e o presente, Lula e o anti-Lula, Bolsonaro e o anti-Bolsonaro – força os diversos presidenciáveis nos campos entre a centro-esquerda e a centro-direita a conversar, baixar as armas e postulações, encontrar denominadores comuns. A dificuldade maior de desalojar um dos favoritos do segundo turno tem tudo para viabilizar acordos que antes talvez fossem mais difíceis.

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É interessante observar agora os movimentos de nomes como os governadores tucanos Eduardo Leite (RS) e João Dória (SP), o apresentador Luciano Huck, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), o empresário João Amoedo (Novo-RJ) e até o ex-juiz Sérgio Moro. Uma frente de partidos e lideranças que não querem Bolsonaro e Lula pode ter o apelo eleitoral e anímico que sozinhos até agora eles não despertaram.

Em Santa Catarina, o cenário para disputa do governo está tão aberto e fragmentado que os arranjos nacionais ainda nem causaram efeitos. A eleição nacional sempre afeta, em maior ou menor grau, a disputa pelo governo catarinense. O ápice do efeito foi em 2018, quando Bolsonaro carregou o desconhecido Carlos Moisés (PSL) para a Casa d’Agronômica. Não vai se repetir, até porque estão descolados politicamente e porque o governador não é mais desconhecido – responderá pelo que faz no comando do Estado.

É o senador Jorginho Mello (PL) que tenta ocupar o campo bolsonarista da polarização nacional. A esquerda vê em Lula um corrimão para parar de cair, mas sabe que não entra no jogo em condições de disputa no jogo sucessório. A formação de uma sólida terceira via nacional pode ajudar a robustecer uma candidatura local. Se isso não acontecer, restará aos não-bolsonaristas tentar desbolsonarizar a eleição catarinense.

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