Frase de Albert Einstein: “A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado, a imaginação circunda o mundo” – a reflexão do físico alemão

A frase quase nunca aparece com o que vem antes dela, e é essa primeira linha que explica por que um físico colocaria a imaginação acima do conhecimento

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Albert Einstein deu a entrevista ao Saturday Evening Post em 1929, quando ainda vivia na Alemanha. Crédito: Reprodução

A frase é das mais reproduzidas do mundo e das mais mal usadas. Ela aparece em parede de escola, em apresentação corporativa e em discussão sobre o valor de estudar, quase sempre com o mesmo sentido: conteúdo importa menos do que criatividade, e decorar coisa não serve para nada. É uma leitura que agrada e que o próprio Einstein desmente na mesma entrevista.

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O contexto é específico. Em 26 de outubro de 1929, o Saturday Evening Post publicou uma longa entrevista do jornalista George Sylvester Viereck com o físico, sob o título “O que a vida significa para Einstein”. Em determinado ponto, Viereck pergunta se ele confia mais na própria imaginação do que no próprio conhecimento. A frase é a resposta a essa pergunta, e não uma declaração espontânea sobre educação.

A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado, a imaginação circunda o mundo.

O que praticamente nenhuma reprodução traz é a linha imediatamente anterior, e ela é a chave. Einstein começa a resposta dizendo que é suficientemente artista para recorrer livremente à própria imaginação. A declaração sobre imaginação e conhecimento vem depois disso, como justificativa. Ele não está opondo as duas coisas de modo geral. Está descrevendo o próprio método de trabalho, em que a parte artística tem função e precisa de liberdade.

A diferença entre as duas leituras é prática. A versão popular sugere que conhecimento seja o obstáculo e imaginação seja o atalho. A versão completa diz outra coisa: o conhecimento cobre o que já é sabido, e a imaginação alcança o que ainda não foi pensado. São funções distintas, não concorrentes, e a segunda só opera a partir da primeira. Einstein havia passado anos estudando física antes de conseguir imaginar um feixe de luz sendo perseguido na velocidade dele mesmo, exercício que está na origem da relatividade.

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Vale registrar que outra versão circula com a mesma assinatura. “Imaginação é tudo, é a prévia das atrações futuras da vida” aparece amplamente atribuída a ele e não tem a mesma procedência. Vale desconfiar quando a frase soar mais parecida com um cartaz do que com uma resposta de entrevista.

O que a formulação sugere, lida inteira, é mais exigente do que o uso corrente dela. Ela não autoriza ninguém a dispensar o estudo. Autoriza quem já estudou a desconfiar do próprio repertório, porque o repertório, por definição, contém apenas o que já foi descoberto.

Veja também: Albert Einstein disse: “Com as pessoas é como com a bicicleta; só quando está em movimento é que se consegue manter o equilíbrio com conforto”.