William B. Irvine, filósofo americano, escreveu: “A maneira mais fácil de alcançar a felicidade é aprender a querer as coisas que já temos”

Entenda por que a frase é a parte fácil, e por que a técnica que o filósofo propõe para colocá-la em prática contraria quase tudo o que se costuma recomendar

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Retrato de William B. Irvine

William B. Irvine é professor emérito de filosofia da Wright State University, em Ohio, nos Estados Unidos. (Foto: Reprodução)

Existe um padrão que quase todo mundo reconhece e pouca gente nomeia. O celular novo, que parecia indispensável na vitrine, vira objeto comum em três semanas. O aumento de salário que resolveria tudo passa a ser o salário normal no quarto mês. A casa maior, conquistada com anos de esforço, deixa de ser notada. Nada disso perdeu valor. Nós é que paramos de enxergar.

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E a resposta habitual a esse esvaziamento é procurar a próxima coisa. Um objetivo novo, uma compra nova, uma meta maior. O ciclo recomeça, chega ao mesmo ponto e recomeça outra vez. Ficamos numa esteira que anda sempre na nossa velocidade e que, por isso mesmo, nunca chega a lugar nenhum.

Foi observando esse mecanismo que o filósofo americano William B. Irvine, professor emérito da Wright State University, escreveu a frase que resume o livro dele sobre estoicismo.

A maneira mais fácil de alcançar a felicidade é aprender a querer as coisas que já temos.

Quando foi a última vez que você reparou em algo que já tem há anos?

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O que essa declaração ensina sobre adaptação

O fenômeno que Irvine descreve tem nome na psicologia: adaptação hedônica. É a tendência de voltar ao mesmo nível de satisfação depois de qualquer conquista, como se a alegria nova fosse gradualmente absorvida até virar o normal. O exemplo que ele usa no livro é o dos ganhadores de loteria: depois de um período de euforia, eles acabam mais ou menos tão felizes quanto eram antes, e passam a tratar a mansão nova com a mesma indiferença com que tratavam o apartamento apertado.

Vale registrar um detalhe que quase nenhuma citação preserva. Irvine não apresenta a frase como descoberta própria. No livro, ele escreve que, em diferentes lugares e ao longo de milênios, quem pensou com cuidado sobre o funcionamento do desejo chegou a essa mesma conclusão. E acrescenta, logo em seguida, que o conselho é fácil de enunciar e sem dúvida verdadeiro. O difícil é praticá-lo.

A ilusão de querer mais e a sabedoria de querer o que já existe

A estratégia dominante para ser feliz é mudar o mundo ao redor: conseguir mais, trocar, subir. O estoicismo propõe o caminho inverso. Irvine retoma Epicteto, filósofo do primeiro século, para quem o contentamento vem de mudar os próprios desejos, e não as circunstâncias.

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Isso não é resignação. Não se trata de parar de querer coisas, e sim de reorientar o desejo para o que já está disponível. A diferença é prática. Quem depende da próxima conquista para sentir satisfação vive sempre um passo atrás. Quem aprende a desejar o que tem passa a ter acesso imediato àquilo que estava procurando.

Os sinais de que você está pronto para sair da esteira

O primeiro é perceber que você parou de notar coisas que um dia desejou muito. O segundo é que a satisfação das suas conquistas dura cada vez menos antes de dar lugar à próxima vontade. O terceiro é descrever a própria vida quase sempre pelo que falta, e raramente pelo que existe.

Nenhum desses sinais indica falha pessoal. Indica apenas que a adaptação está fazendo o que costuma fazer.

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Você pode gostar de ver também a frase de Arthur Brooks, professor de Harvard: “As pessoas mais felizes são aquelas que nunca param de aprender” – o motivo importa mais que o hábito.

*Material feito com ajuda da inteligência artificial e revisado por jornalistas.