Abordagem de segurança voluntária em Florianópolis vira alvo de análise do MP

Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública ressaltou que verifica internamente se houve alguma conduta inadequada

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Projeto de lei do Poder Executivo foi aprovado no dia 11 de novembro de 2025 (Foto: Allan Carvalho, PMF)

Um vídeo gravado no Centro de Florianópolis mostra cinco homens, identificados como voluntários do programa municipal Agentes Comunitários, cercando um homem sentado num banco com seus pertences. Um dos agentes afirma: “Todo dia vou passar aqui e te arrancar daqui”, além de chamar o homem de “vacilão”. As imagens motivaram uma denúncia formal ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que analisará o caso. Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública ressaltou que verifica internamente se houve alguma conduta inadequada.

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A atuação dos chamados Agentes de Segurança e Ordem Pública Comunitários é regulamentada pela Lei Municipal nº 11.498/2025. A norma estabelece que o grupo deve ser supervisionado por, no mínimo, um agente da Guarda Municipal, da Defesa Civil ou um fiscal municipal, a quem eles estariam “disciplinarmente vinculados”. Não há, nas imagens, a presença visível de agentes acompanhando a ação (assista ao vídeo abaixo).

O assunto também foi abordado pela NSC TV durante o Jornal do Almoço.

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Assista ao vídeo

O vereador Leonel Camasão (PSOL) registrou a denúncia no Ministério Público. O MPSC afirmou, ao NSC Total, que recebeu a denúncia pela 31ª Promotoria de Justiça. No entanto, por atribuição, ela foi encaminhada para a 12ª Promotoria de Justiça, unidade que atua na defesa dos interesses da sociedade. O documento será analisado.

A Prefeitura Municipal de Florianópolis (PMF) foi questionada sobre o episódio, se havia supervisão no momento da abordagem, quais medidas devem ser adotadas após a denúncia e de que maneira está ocorrendo a atuação dos voluntários na Capital.

Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública ressaltou que os voluntários estavam supervisionados por agentes da Ordem Pública e da Guarda Municipal. Destacando ainda que o homem estaria importunando comerciantes e moradores da região e a equipe tentava oferecer acesso aos equipamentos de assistência social do município. (Leia na íntegra abaixo)

Saiba mais

O que disse a Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública

A Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública (SMSOP) informa que os voluntários do vídeo captado na Rua Vidal Ramos estavam supervisionados por agentes da Ordem Pública e da Guarda Municipal. O homem que aparece no vídeo estava importunando comerciantes e moradores da região e a equipe tentava oferecer acesso aos equipamentos de assistência social do município. A Secretaria verifica internamente se houve alguma conduta inadequada na abordagem e reafirma, ainda, que todos os voluntários comprovaram formação específica em cursos de segurança e vigilância bem como foram capacitados pela Academia da Guarda Municipal e outros órgãos municipais. Atualmente, os voluntários contribuem com diversas atividades da SMSOP, como operacionalização das fiscalizações de praia, em vistorias no centro da cidade, orientação do trânsito, apoio a organização de grandes eventos, entre outras funções.

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O que diz a lei que regulamenta a atuação dos voluntários?

O projeto de lei do Poder Executivo foi aprovado no dia 11 de novembro e sancionado pelo prefeito Topázio Neto (PSD) no dia 25 de novembro. Na época, a proposta causou polêmicas entre vereadores de oposição, que classificaram o programa como “inconstitucional”.

O edital para o programa de Agentes Comunitários, que autorizava o trabalho voluntário na Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública, em Florianópolis, foi lançado no dia 2 de dezembro. A prefeitura ofertou 100 vagas para atuação na temporada de verão entre 2025 e 2026.

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Conforme apurado previamente pelo NSC Total, os voluntários não recebem um salário. No entanto, os agentes tiveram suas despesas ressarcidas com um valor de R$ 125 por turno de seis horas a R$ 250 por turno de 12 horas.

Os voluntários aprovados são responsáveis por apoiar a Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública em atividades específicas. Entre elas, segundo a legislação, o atendimento na central de operações, a prevenção em eventos públicos, apoio administrativo e participação em ações comunitários e cursos de capacitação.

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Ao NSC Total, a Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública garantiu, em dezembro, que os voluntários não utilizariam armas, tampouco estariam desacompanhados de oficiais treinados.

Como os voluntários foram escolhidos

Segundo o projeto, para atuar como agente comunitário, o candidato tinha de cumprir os seguintes requisitos:

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  1. Ter no mínimo 18 anos;
  2. Apresentar certidão negativa de antecedentes criminais;
  3. Ter sanidade mental e capacidade física;
  4. Concluir o curso de Agente de Segurança e Ordem Pública Comunitário;
  5. Apresentar Termo de Adesão ao Serviço Voluntário, conforme modelo da pasta;
  6. Apresentar exame toxicológico.

Ainda estava prevista a exigência do exame toxicológico durante o período de atuação, sob pena de dispensa em caso de recusa.