Balneário Camboriú vai construir 8 mil moradias com valor acessível e prevê R$ 100 milhões em incentivos

Proposta busca reduzir o déficit habitacional e facilitar o acesso à moradia em um município marcado pela valorização imobiliária

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Com imóveis entre os mais caros do Brasil, Balneário Camboriú vai implantar projeto de moradia acessível para beneficiar moradores e trabalhadores da cidade (Foto: PMBC, Arquivo)

Consagrada como a segunda cidade mais valorizada do Brasil, de acordo com o Índice FipeZap de outubro, Balneário Camboriú enfrenta o desafio de ampliar o acesso à moradia em meio à alta dos preços dos imóveis. Com o metro quadrado residencial avaliado em R$ 15.369, em média, a cidade do Litoral Norte de Santa Catarina busca alternativas para que famílias de baixa e média renda consigam viver no município

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Pensando nisso, a prefeitura busca implantar o programa Morar BC, que prevê oito mil unidades habitacionais até 2032. A proposta inclui mais de R$ 100 milhões em incentivos municipais para estimular a construção de moradias acessíveis. Entre as medidas previstas estão benefícios tributários, redução ou isenção da Outorga Onerosa em determinadas faixas de renda e ampliação do potencial construtivo dos empreendimentos participantes.

A iniciativa busca atrair a participação da iniciativa privada para ampliar a oferta de imóveis voltados a diferentes faixas de renda. Para o corretor de imóveis e especialista em mercado imobiliário Bruno Cassola, que tem quase 20 anos de atuação no Sul do país, a proposta aborda um desafio que acompanha o desenvolvimento de cidades com forte valorização imobiliária.

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“A valorização imobiliária é positiva para a economia e para a atração de investimentos, mas também cria novas responsabilidades para o planejamento urbano. Quando os trabalhadores precisam morar cada vez mais longe, aumentam os deslocamentos, a pressão sobre a mobilidade e a dependência das cidades vizinhas”, analisa Cassola.

Cidade é a segunda mais valorizada do país

Na avaliação do especialista, ampliar as alternativas de moradia pode ajudar a conciliar o crescimento econômico com a permanência de trabalhadores no município. Ele destaca, porém, que a efetividade da proposta dependerá da transformação dos incentivos em empreendimentos bem localizados e integrados à infraestrutura urbana.

“Balneário Camboriú construiu um mercado de alto padrão extremamente forte, e isso não precisa estar em oposição à criação de alternativas de moradia para outros públicos. Uma cidade economicamente madura precisa conseguir conciliar investimento, valorização imobiliária, infraestrutura e permanência das pessoas que fazem a economia funcionar”, afirma o CEO da IBC Imobiliária.

Como será o projeto que promete 8 mil moradias e preço acessível

O programa Morar BC foi apresentado durante uma audiência pública na Câmara de Vereadores no início de outubro integra uma Operação Urbana Consorciada (OUC), que pretende reunir investimentos públicos e privados para ampliar a oferta de moradias acessíveis no município. Segundo o projeto, a expectativa é que as residências sejam construídas em etapas e finalizadas até 2032.

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A proposta prevê a construção das unidades habitacionais em três etapas. A primeira, entre 2027 e 2028, deve contemplar duas mil moradias. Na sequência, estão previstas outras três mil entre 2029 e 2030 e mais três mil entre 2031 e 2032.

Serão cinco faixas de renda familiar abrangidas pelo projeto, que vão de até R$ 3,2 mil a R$ 18 mil mensais. Entre os critérios para participar estão a renda, o tempo de residência em Balneário Camboriú e o vínculo profissional com o município.

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Prefeitura confirma incentivos na construção das moradias

Também estão previstos benefícios tributários envolvendo ITBI, IPTU e taxas urbanísticas. No caso do ITBI, a proposta estabelece redução da alíquota e possibilidade de diferimento do pagamento por até 12 meses.

A estratégia busca tornar os projetos mais atrativos para a iniciativa privada e, ao mesmo tempo, reduzir o custo final das moradias destinadas às famílias contempladas. Os empreendimentos deverão priorizar regiões que já contam com infraestrutura e possuem capacidade de ocupação e adensamento.

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A proposta prevê ainda que as novas moradias estejam integradas ao transporte público, equipamentos públicos e demais estruturas urbanas. Também estão entre as diretrizes do programa o incentivo à energia solar, à eficiência energética e ao reuso de água.

Quem poderá se beneficiar

De acordo com informações do projeto, a proposta do Morar BC é atender famílias distribuídas em cinco faixas de renda, que vão de até R$ 3,2 mil a até R$ 18 mil mensais. A classificação deverá considerar fatores como renda familiar, tempo de residência em Balneário Camboriú e período de exercício profissional na cidade.

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Entre os grupos que terão prioridade estão trabalhadores que atuam no município, mas moram em outras cidades, moradores de áreas de risco, mulheres chefes de família e idosos. Os demais critérios de elegibilidade e classificação ainda serão definidos em regulamentação.

Investimento milionário

Para colocar o programa em prática, a Prefeitura de Balneário Camboriú estima mais de R$ 100 milhões em incentivos municipais. Os recursos serão destinados a subsídios, benefícios tributários e instrumentos urbanísticos utilizados para ampliar a oferta habitacional.

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O Morar BC também deverá contar com mecanismos de controle e acompanhamento, como sistema de pontuação auditável, cruzamento de dados, relatórios anuais de gestão e fiscalização dos empreendimentos.

Audiência pública do projeto está disponível na íntegra