Casal doou 300 bisões para recuperar pradaria ameaçada; três décadas depois, rebanho chegou a 2,7 mil animais

Doação feita em 1993 deu início à reintrodução dos animais em uma reserva de Oklahoma, nos Estados Unidos, onde eles ajudam a manter a vegetação nativa

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Bisões avançam juntos pela pradaria. Foto: Wikimedia Commons.

Bisões avançam juntos pela pradaria. Foto: Wikimedia Commons.

Em 1993, Kenneth e Dianna Adams doaram 300 bisões para a The Nature Conservancy, organização ambiental que atua nos Estados Unidos. Os animais foram levados para uma área protegida em Oklahoma. Mais de três décadas depois, o rebanho chegou a cerca de 2,7 mil indivíduos no verão, incluindo os filhotes nascidos naquele ano.

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A reserva Joseph H. Williams Tallgrass Prairie Preserve fica perto de Pawhuska e ocupa aproximadamente 160 quilômetros quadrados. A área protege um dos maiores remanescentes de pradaria de capim alto da América do Norte. Segundo a The Nature Conservancy, a reintrodução dos bisões ajuda a recuperar o equilíbrio entre gramíneas e outras plantas.

Como os bisões ajudam a pradaria

Ao pastar, os bisões influenciam o crescimento das gramíneas e abrem espaço para outras espécies vegetais. Além disso, a movimentação do rebanho redistribui nutrientes pelo solo. As depressões que os animais formam quando rolam na terra também podem acumular água da chuva.

A reserva combina o pastoreio com queimadas prescritas, feitas em áreas e períodos planejados. Dessa forma, os responsáveis controlam o avanço de arbustos e árvores sobre os campos abertos, uma característica importante desse ecossistema.

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No outono, a equipe reúne os animais para avaliar a saúde do rebanho e manejar parte da população. Por isso, a marca de 2,7 mil bisões registrada no verão, que inclui os filhotes, não representa necessariamente a quantidade que permanece na reserva depois da contagem anual.

Pesquisa associa bisões à diversidade de plantas

Um estudo publicado em 2022 analisou quase três décadas de dados da Konza Prairie Biological Station, no Kansas. Os pesquisadores encontraram 103% mais espécies de plantas nativas em pequenas parcelas e 86% mais em áreas maiores com bisões do que em locais sem grandes herbívoros.

A pesquisa saiu na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. Os resultados também indicaram que o aumento da diversidade vegetal resistiu a uma seca severa. No entanto, o estudo ocorreu no Kansas, e não na reserva de Oklahoma. Portanto, os dados ajudam a explicar os efeitos dos bisões em pradarias semelhantes, mas não medem diretamente o impacto do rebanho da The Nature Conservancy.

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Uma pradaria reduzida pela ocupação humana

A pradaria de capim alto já ocupou uma extensa faixa da América do Norte. Com a expansão da agricultura e das cidades, porém, esse ecossistema perdeu grande parte de sua área original. Hoje, a reserva de Oklahoma protege um trecho importante do que restou.

A doação dos Adams não recuperou sozinha a pradaria. Ainda assim, iniciou um projeto de longo prazo que combina a presença dos bisões com o manejo da vegetação. Mais de 30 anos depois, os animais continuam no centro do esforço para conservar a paisagem e as espécies que dependem dela.