Cerca de 100 trabalhadores estão com salários atrasados em construtora que tem R$ 97 milhões em contratos com a prefeitura de Joinville

A empresa venceu sete licitações para a construção de CEIs, um dos contratos já foi rescindido

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São cerca de 100 trabalhadores que estão com pagamentos afetados (Foto: Mariana Paz, CBN Joinville, vereador Lucas Souza, Redes Sociais)

“Eu sou mãe solo, sou o pilar da minha família, eu que trago o sustento pra casa”. O desabafo é de uma das trabalhadoras que da Oracon Obras Ltda, empresa responsável pela construção dos CEIS em Joinville. São cerca de 100 funcionários, das sete obras, que estão nesta situação, conforme Rafael Fachinello, advogado que representa os trabalhadores. O salário, que era pra ter sido pago no início de outubro, ainda não foi acertado. Ainda, a empresa pagou apenas valores parciais a alguns. O caso gerou uma mobilização, um grupo foi até a Câmara de Vereadores de Joinville para cobrar uma solução nesta quarta-feira (21).

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A empresa venceu sete licitações que ao todo passam de R$ 100 milhões, um dos contratos já foi reincidido, sem este os valores homologados chegam a R$ 97 milhões. O NSC Total tenta contato com a Oracon por telefone e pelas redes sociais, mas ainda não obteve retorno. A Prefeitura de Joinville informou, em nota, que o pagamento para a construtora está em dia e também afirma que já instalou um processo administrativo, que vai incluir o problema do atraso no pagamento dos salários.

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Trabalhadores compartilharam com a reportagem sobre as dificuldades financeiras que tem passado.

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“Eu sou mãe solo, sou o pilar da minha família, eu que trago o sustento pra casa , fiquei sem chão com esse atraso, eu pago aluguel, água, luz, internet e mais mercado, e com esse atraso não pude cumprir com nenhuma dessas contas”, desabafou uma delas.

Ela também relatou sobre a situação dela e também de outros colegas. “Ainda bem que alimentação e gás ainda temos, mas o pessoal que não tem nada para alimentação? Como fica? A fome dói, é muito triste ouvir seu filho pedir algo e você não ter para dar. Imagina esse pessoal, que a maioria é venezuelano e vieram fugindo da fome, chegaram aqui e deram de cara com essa situação. Muito humilhante isso pra nós, pois parece que estamos pedindo caridade para a empresa e só estamos correndo atrás do nosso direito. Já trabalhamos para isso”, disse.

Obras já foram alvos de cobrança por conta de atraso

Ao todo, a Oracon possui sete termos de homologação junto à prefeitura, que antes atendia por nome de Embracol. No dia 2 de setembro de 2026, a Comissão de Educação da Câmara de Joinville discutiu os atrasos nas obras. O debate foi proposto pelo vereador Ascendino Batista (PSD). Segundo a Secretaria Municipal de Educação, os sete contratos já tiveram processos administrativos e multas.

Na época, a comissão atualizou como estavam as obras em cada CEI, os mais preocupante, levantado pela comissão era o da Estrada Timbé, que deveria ter sido entregue em setembro. Na ocasião estava em 20,55% de execução. A Prefeitura rescindiu o contrato. Veja quais foram as obras, qual valor que consta no termo de homologação e como estavam o processo delas em setembro, conforme a Comissão de Educação da CVJ:

  • CEI Juliano Busarello – R$ 18.879.433,38 – Rua Juliano Busarello, Boehmerwald – 72,5%
  • CEI Ministro Luiz Galotti – R$ 16.271.287,44 – Rua Ministro Luiz Galotti, Boa Vista – 72%
  • CEI Minas Gerais – R$ 19.949.952,31 – Rua Minas Gerais, Morro do Meio – 43,73%
  • CEI Heitor Dominoni – R$ 13.290.900,00 – Rua Heitor Dominoni, Petrópolis – 62,4%
  • CEI Senador Rodrigo Lobo – R$ 16.148.994,76 – Rua Senador Rodrigo Lobo, nº 1677, Jardim Iririú – 59,5%
  • CEI Astra Urban – R$ 12.569.499,45 – Rua Astra Urban, Jardim Sofia – 35,08%
  • CEI Estrada Timbé – R$ 14.003.948,00 – Estrada Timbé, Jardim Paraíso – 20,55% (contrato reincidido).

Valor total: R$ 111.114.015,34 no total, ou R$ 97.110.067,34 (sem o valor do CEI Estrada Timbé).

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Ruptura entre financeira e construtora

A reportagem teve acesso a um dos documentos enviados pela empresa aos funcionários. No texto ela afirma que “houve uma ruptura abrupta com o parceiro financeiro que a empresa mantinha para subsidiar os pagamentos, situação que impactou diretamente o fluxo financeiro e ocasionou o atraso no pagamento dos salários”, escreveu. A empresa ainda afirma que parte dos pagamentos já haviam sido feitos, e o restante seria feito até a última sexta-feira (16), mas segundo um dos funcionários, ele ainda estava sem receber.

A construtora chegou a enviar aos funcionários comunicados de que o pagamento seria realizado, mas esse prazo é sempre postergado. “Nós estamos cobrando deles e eles ficam só emitindo os ofícios, não dão nada de concreto para nós. Eles ficam jogando de uma semana para outra, daí chega o dia, eles não pagam e jogam para outro dia”, relatou um.

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“Eu era do CEI Estrada Timbé, mas eles perderam essa oportunidade e entregaram o projeto. Então eles me mandaram para o CEI Senador Lobo. A partir daí, muito trabalho se seguiu. (…) Hoje, 20 de outubro, eles não pagaram, apenas uma parte dos salários. Sou venezuelano e pai. Preciso pagar o aluguel, senão serei despejado. Tenho um bebê de 11 meses que precisa de leite, fraldas e comida”, desabafou outro.

Mobilização na Câmara de Vereadores

A situação resultou na mobilização dos trabalhadores na Câmara de Vereadores de Joinville. Por volta das 8h30 um grupo começou a se reunir no local. Junto com o advogado, conseguiram uma reunião com o vereador Diego Machado (PSD). Na reunião, uma delas compartilhou o que estavam passando.

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 “Eles estão atrasados com nós desde o quinto dia útil, e então eles mandaram um ofício que no dia 9 eles [a Oracon] iriam fazer esses pagamentos. Chegou dia 9 eles pagaram uma porcentagem, bem pouquinho, para alguns, não para todos. Depois mandaram outro ofício dizendo que no dia 16 iam pagar. No dia 16, de novo, eles pagaram uma ‘micharia’ para alguns. Para um rapaz pagaram só R$ 162. (…) Isso não paga nem uma luz, eles querem ficar pagando pingado”, disse uma trabalhadora.

Uma reunião com representantes da prefeitura deve acontecer nesta quinta-feira (22). “Estamos buscando um novo encontro com representantes da prefeitura aqui na Câmara amanhã, com a procuradoria do município e com a secretaria de administração para que eles possam explicar para nós e para os trabalhadores em que pé estão os processos administrativos”, disse Diego Machado.

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Em paralelo, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), cobra a Prefeitura pela redução das filas em creches da cidade. A primeira obrigação da determinação judicial é a apresentação, em 30 dias, de plano emergencial para atendimento da redução. A atual fila dos centros de educação infantil é de 5,6 mil vagas.

A prefeitura havia informou na segunda-feira não ter ainda sido comunicada da decisão, mas garantiu estar tomando medidas para otimizar o processo de oferta de vagas. Na próxima semana, novo sistema entra em operação, com abertura de cadastro para vagas no ano letivo de 2027. Pela atual demanda de matrículas em centros de educação infantil, os 30% equivalem a 1.715 vagas.