A Defesa Civil de Blumenau publicou nesta sexta-feira (4) a nova cota de enchentes por rua. A última atualização tinha ocorrido em 2012 — ou seja, 14 anos atrás. O morador que quiser saber se pega enchente onde mora e com quantos metros pode fazer a conferência no site do AlertaBlu. Para isso, basta digitar o nome da rua.
Uma das novidades é que a nova cota de enchentes traz informações para ruas atingidas por inundações até o rio Itajaí-Açu atingir 18 metros. A versão anterior do documento trazia até 15 metros. Isso fez praticamente dobrar o número de endereços com informação disponível sobre cheias, passando de 1.938 para 3.576.
“Muitas pessoas perguntavam: ‘Mas e se chegar a 16, 17 metros?’ Então, desta vez, ampliamos, para que todos possam saber a cota de onde moram. Mas acima de 18 é praticamente impossível, porque com 16 metros acabamos nivelando com o nível do mar”, explica o secretário de Defesa Civil de Blumenau, Olímpio Menestrina.
A atualização também mostrou algumas alterações nas cotas de enchente para ruas na região Norte da cidade. As mudanças, afirma o chefe da pasta, seriam reflexo de interferências urbanas. Ele cita o aterro na BR-470, por exemplo, impactando mais os moradores da 1º de Janeiro.
Cartilhas para famílias e empresas
A Defesa Civil de Blumenau lançou duas cartilhas. Uma traz orientações para as famílias e outra para empresas. O objetivo é tentar ajudar a se organizarem caso vivam em áreas que pegam enchente.
Uma das preocupações da prefeitura é com as pessoas vindas de outros estados e países que nunca enfrentaram uma inundação. Dados divulgados pelo IBGE no ano passado revelaram que um a cada quatro moradores de Blumenau veio de outro estado.
O governo também criou um comitê para alinhar com todas as instituições de ensino — sejam elas públicas ou privadas — a suspensão de aulas simultaneamente, caso seja necessário. O objetivo é evitar, por exemplo, que uma creche tenha atendimento e outra escola perto dali não, o que gera confusão para a comunidade.
Há, ainda, uma preocupação quanto ao transporte. Para que as pessoas saibam quando e qual linha é impactada nas cheias e possam definir formas de sair em segurança de casa, se for necessário.
De olho no turismo
Um material informativo também deve ser lançado com orientações para os turistas, para que visitantes saibam o que fazer se estiverem na cidade durante uma enchente. Em outubro de 2023, quando Blumenau passou por seis inundações, a Oktoberfest chegou a ser suspensa no meio da programação.
A preocupação é o El Niño
A mobilização da prefeitura tem por base a formação do El Niño, que já atingiu o estágio de “forte” e pode avançar para “muito forte” nos próximos meses. A previsão é de que o fenômeno alcance a maior intensidade durante a primavera e o começo do verão — entre setembro e janeiro.
Esses já são meses com maior incidência de chuva na cidade, mas as projeções da Defesa Civil apontam que pode ocorrer de 100 a 300 milímetros a mais do que costuma ocorrer.
Se as previsões de confirmarem, este deve ser o El Niño mais forte da história. Entretanto, ele sozinho não provoca enchentes. É preciso estar associado a outros fenômenos climáticos. Na tragédia de 1984, por exemplo, era um período de neutralidade. Já na enchente de 2011, que provocou deslizamentos, estava em La Niña.
