Submerso há 133 anos, o navio Pallas, que afundou durante a Revolta da Armada em 1893, ainda repousa no fundo do rio Itajaí-Açu. A embarcação do século XIX se tornou uma verdadeira dor de cabeça para o Porto de Itajaí, no Litoral Norte catarinense, já que os destroços impedem o aprofundamento de uma área do canal e passaram a ser um obstáculo para os planos de expansão do Complexo Portuário.
Os restos do navio estão localizados entre as boias 9 e 11, próximos à Bacia de Evolução número 2, no lado de Navegantes. A estrutura impede que aquela área seja aprofundada para 16 metros, uma das medidas necessárias para ampliar a capacidade operacional e permitir a chegada de navios de maior porte ao complexo.
A retirada do Pallas também está ligada a ampliação da Bacia de Evolução nº 2, projetada para alcançar 530 metros de diâmetro. De acordo com a Superintendência do Porto de Itajaí (SPI), a mudança irá promover uma melhoria nas condições para as manobras das embarcações e reforçar a segurança da navegação no local.
Remoção do navio deve custar mais de R$ 20 milhões
Atualmente, a SPI trabalha na definição de um plano de como retirar a embarcação do fundo do rio. Um convênio de R$ 310 mil foi firmado com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), para a realização dos estudos necessários para estabelecer como será realizada a força-tarefa que resgatará os destroços do Pallas do canal portuário.
Os trabalhos incluem inspeções subaquáticas, mergulho técnico, sondagens e análises estruturais. A etapa de campo será concluída com o mergulho técnico, que estava inicialmente previsto para essa quarta-feira (12), mas foi adiado devido às condições climáticas adversas.
Ainda sem nova data definida, a ação permitirá vistoriar, checar e registrar as condições atuais dos escombros.
A remoção completa do casco está estimada em aproximadamente R$ 23 milhões e deverá contar com investimentos do governo federal. Depois da retirada, a expectativa é avançar na adequação da Bacia de Evolução nº 2 e no aprofundamento do canal.
Navio afundou há 133 anos
O Pallas foi construído na Inglaterra em 1891 e fazia o transporte de cargas e passageiros entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires, com escalas em Itajaí. A embarcação afundou no dia 23 de outubro de 1893, durante a Revolta da Armada, e acredita-se que o naufrágio aconteceu após o comandante se recusar a apoiar os revoltosos que tentavam derrubar Floriano Peixoto.
Além disso, o navio também foi saqueado e perdeu objetos de valor. Os destroços foram identificados novamente apenas em 2017, durante trabalhos de dragagem para a implantação da nova bacia de evolução do Porto de Itajaí.
Levantamentos realizados posteriormente apontaram que a embarcação está partida ao meio, com estruturas metálicas e fragmentos de madeira espalhados pelo leito do rio. Desde então, os restos do Pallas passaram a ser considerados uma limitação para os projetos de expansão da infraestrutura aquaviária do complexo portuário.
Entenda a linha do tempo do Pallas
A Revolta da Armada
A Revolta da Armada foi um movimento militar ocorrido entre 1893 e 1894, liderado por setores da Marinha brasileira contrários ao governo de Floriano Peixoto, então presidente da República. Os revoltosos exigiam novas eleições, alegando que Floriano assumira o poder de forma ilegítima após a renúncia de Deodoro da Fonseca.
A rebelião teve episódios marcantes no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, com confrontos navais e bombardeios. Apesar da força dos insurretos, o governo conseguiu sufocar a revolta, consolidando a autoridade do regime republicano recém-instalado no Brasil.

























