Compra de respiradores: ex-secretário teria indicado empresa e apagado mensagens, aponta investigação

Processo detalha a suposta participação do ex-chefe da Casa Civil do Governo de SC, Douglas Borba, na compra de 200 respiradores por R$ 33 milhões

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Douglas Borba pediu exoneração do cargo no Governo do Estado após as denúncias (Foto: Daniel Conzi / Agência AL)

A investigação sobre a compra de 200 respiradores pelo governo de SC, revelada após a retirada do sigilo autorizada pela Justiça nesta segunda-feira (11), trouxe mais informações sobre a suposta participação do ex-secretário de Estado da Casa Civil, Douglas Borba, na indicação da empresa Veigamed para a aquisição dos ventiladores pulmonares e na participação no processo de compra.

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Segundo o Ministério Público de SC (MP-SC), o ex-secretário, que pediu exoneração neste domingo, teria relação com ao menos três pessoas que atuaram em favor da empresa Veigamed ao longo da compra dos respiradores.

De acordo com a investigação, a primeira participação de Douglas Borba teria ocorrido na indicação do médico e empresário paulista Fábio Deambrosio Guasti para apresentar uma proposta para a compra de respiradores.

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O então secretário teria feito uma chamada de voz no dia 22 de março para a servidora Márcia Geremias Pauli, superintendente da Secretaria de Saúde e responsável pela compra dos respiradores. Segundo o MP-SC, Borba teria dito que gostaria de ajudar e repassou o contato de Fábio como um possível fornecedor de equipamentos hospitalares.

No mesmo dia, Fábio fez contato com a servidora Márcia e encaminhou um material de divulgação de respiradores. O mesmo material havia sido repassado mais cedo por Borba. Fábio continuou sendo o principal representante da Veigamed no processo de compra, prometeu entrega “em tempo recorde”, até 7 de abril, e pediu agilidade para o pagamento antecipado e fechamento da compra nas conversas com a Secretaria de Saúde.

Um dia após o governo do Estado fazer o pagamento antecipado dos R$ 33 milhões à Veigamed, participa da negociação uma segunda pessoa ligada a Borba, segundo a investigação. O advogado Leandro Adriano de Barros entra em contato com a servidora Márcia, responsável pela compra, e envia mensagens que, segundo o Ministério Público, buscavam “transmitir credibilidade em relação à entrega dos equipamentos com expressões do tipo ‘pode ficar tranquila’, ‘conheço a empresa’, ‘mas eles vão cumprir tá’, ‘vai chegar… fiquem tranquilos quanto a isso’.

Segundo o MP-SC, Leandro é morador de Biguaçu, filiado ao mesmo partido de Douglas Borba e foi secretário de Saúde da cidade no mesmo período em que Borba era vereador no mesmo município. A mãe de Leandro é servidora do Estado e atuaria na Secretaria de Casa Civil durante o período de gestão de Borba, segundo o MP-SC.

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Terceiro contato ligado a ex-secretário atuou pela Veigamed, diz MP-SC

Quando a compra já havia sido fechada e a entrega dos respiradores já estava atrasada, a Secretaria de Saúde solicitou uma reunião com Fábio Guasti para discutir a previsão de chegada dos equipamentos. Fábio respondeu que não poderia comparecer, mas enviou Gilliard Gerent como representante da empresa. Ele assegurou ao Estado que os produtos seriam entregues.

Gilliard também é morador de Biguaçu e mantém amizade nas redes sociais com Borba e Leandro. Gilliard e Fábio também mantêm relações profissionais, segundo o MP-SC. Os dois foram fotografados juntos em um evento em que uma empresa de cartões de alimentação Meu Vale, administrada por Fábio, firmou contrato com a Prefeitura de Florianópolis.

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Nesta segunda-feira, após a divulgação da investigação envolvendo o diretor da Meu Vale, a prefeitura da Capital anunciou o rompimento do contrato com a empresa.

Para o MP-SC, Fábio “poderá ser beneficiário do esquema ilícito e um dos ‘donos de fato’ da empresa (Veigamed), ocultados por meio dos "laranjas" Pedro (Nascimento de Araújo) e Rosemery (Neves de Araújo, donos formais da empresa).

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Ex-secretário apagou mensagem e negou conhecer os envolvidos

O Ministério Público utilizou no pedido de prisão preventiva do ex-chefe da Casa Civil, Douglas Borba, pontos que demonstraram supostas ações para encobrir a relação dele com os outros investigados que participaram da negociação, especialmente Leandro Adriano de Barros e Fábio Deambrósio Guasti.

Segundo a investigação do MP-SC, mesmo depois de ter indicado Fábio e Leandro como contatos para a servidora Márcia Pauli, Borba teria negado em depoimento prestado na promotoria de Justiça da Capital que conhecia os envolvidos na negociação dos respiradores.

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Também constam no processo divergências entre o histórico de conversas no WhatsApp entre o ex-secretário e a servidora. Comparando as conversas no celular dela (que passou por perícia no IGP) com o histórico no aparelho de Douglas Borba, o MP aponta que o ex-secretário teria apagado uma mensagem em que diz “Leandro fará contato com vc”.

O histórico do celular de Márcia mostra também que, após receber o primeiro contato de Leandro, ela voltou a questionar o ex-secretário, perguntando “o Sr. confirma ter pedido a ele que fizesse contato comigo?”. Em resposta, Borba diz que “sim. Ele disse ter possibilidade de nos ajudar”.

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Pressão em outras negociações anuladas

Tratando sobre as relações de Douglas Borba com Leandro Barros, o Ministério Público aponta também relatos da participação do ex-secretário em negociações anteriores à compra dos respiradores. Conforme a investigação, Leandro é sócio do escritório de advocacia ADV Barros, que intermediou a negociação do Governo de Santa Catarina com a empresa Mahatma Gandhi para a gestão de 100 leitos de UTI em um hospital de campanha. O contrato acabou sendo anulado pelo próprio Estado após suspeitas de fraude.

Além disso, o MPSC relata que Douglas Borba “teve papel fundamental na defesa intransigente de uma importação de equipamentos de proteção individual (EPIs) pelo Estado de Santa Catarina, para o enfrentamento da Covid-19, no valor de aproximadamente R$ 70 milhões, que se encontrava recheada de irregularidades, tanto que, ao final, foi anulada”.

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O texto se baseia no depoimento do Controlador Geral do Estado, Luiz Felipe Ferreira, que teria dito que Borba “tentou constrangê-lo” para que aprovasse a compra dos EPIs no mesmo dia. Em análise, a Controladoria apontou que a proposta tinha preços acima do normal, itens em excesso e repetição de equipamentos que já haviam sido adquiridos.

Contrapontos

Douglas Borba

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Em nota, a defesa do ex-secretário da Casa Civil Douglas Borba disse que está se inteirando do teor do inquérito, seu cliente está colaborando com a investigação e aguarda o esclarecimento dos fatos.

Leandro Adriano de Barros

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O advogado enviou nota em que diz que jamais atuou em prol da Veigamed e que tem provas de que apresentou proposta de outra empresa com valores mais baixos. Disse ainda que tem relação profissional com Fábio Guasti e que a investigação demonstrará seu não envolvimento.

Fábio Deambrósio Guasti

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A defesa do médico e empresário Fabio Deambrosio Guasti afirma que ele aguarda ser ouvido pelo Ministério Público. Segundo a sua defesa, até o dia 22 de maio já foram feitas três manifestações à Promotoria que investiga os fatos para que ele seja ouvido e "possa prestar os esclarecimentos necessários para comprovar a lisura da sua conduta na investigação em questão".