Dona da Brastemp e Consul aponta reflexos da crise da Casas Bahia nas operações da América Latina

Whirlpool registrou prejuízo de US$ 249 milhões, mais de R$ 1 bilhão, no terceiro trimestre de 2026

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Balanço da Whirlpool cita crise da Casas Bahia, que pressiona operações na América Latina (Foto: Arquivo NSC Total)

A crise financeira da Casas Bahia foi citada no balanço da Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, que mantem em Joinville sua maior fábrica de refrigeradores, como um dos motivos que pressionou a rentabilidade das operações na América Latina. A multinacional aparecia entre os principais credores e revelou um encargo de US$ 54 milhões relacionados a recuperação judicial da rede varejista.

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Segundo o levantamento divulgado nessa segunda-feira (26), a Whirlpool registrou prejuízo de US$ 249 milhões, mais de R$ 1 bilhão, no terceiro trimestre de 2026. Entre outros fatores que podem ter contribuído estão a reestruturação com o fechamento no México, perda no valor de mercado da Whirlpool India e a demanda enfraquecida por eletrodomésticos na América do Norte. Por outro lado, as vendas da Whirlpool na América Latina cresceram 6,9%, chegando a US$ 858 milhões.

Veja fotos da fábrica da Whirlpool em Joinville

A Casas Bahia passa por um crise bilionária que levou o fechamento de 298 unidades em agosto de 2026 e acumulou uma dívida total de cerca de R$ 17 bilhões. O NSC Total apurou, na época, que o valor de R$ 800,9 milhões que a Casas Bahia tem para pagar a Whirlpool, é quase o dobro do lucro acumulado que a empresa teve em 2025 e esses valores poderiam passar de 20 anos para serem pagos.

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No relatório, a Whirlpool aponta que margem EBIT (indicador que serve para avaliar a eficiência operacional de uma empresa) da divisão na América Latina sofreu pressões negativas causadas por mudanças no mix de produtos após o processo de recuperação judicial do grupo varejista. Ela não especificou que mudanças foram estas. No trimestre, a margem EBIT da região caiu para 2,0%, em comparação com os 5,7% registrados no mesmo período do ano anterior.

Dos US$ 54 milhões relacionada à recuperação judicial da Casas Bahia, a Whirlpool detalhou que, US$ 46 milhões correspondem a perdas de crédito, já considerados os valores que a companhia espera recuperar por meio de seguros, e outros US$ 8 milhões são referentes a despesas diretamente ligadas ao episódio.

Ainda, segundo a multinacional, as perdas brutas contabilizadas sobre valores a receber chegaram a US$ 157 milhões, dos quais US$ 112 milhões têm previsão de recuperação por meio de seguros de crédito.

Avaliação da Whirlpool

Em um dos documentos apresentados pela empresa para a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos), referente ao terceiro trimestre de 2026, a companhia avalia a crise da Casas Bahia no seu relatório.

“Acreditamos que a falência da Casas Bahia possa ter um impacto de curto prazo em nossos resultados operacionais, à medida que consumidores, varejistas e concorrentes se ajustam à reorganização da Casas Bahia, e enquanto trabalhamos para lidar com o impacto sobre as contas a receber, incluindo qualquer recuperação parcial por meio dos acordos de seguro aplicáveis; além disso, não acreditamos que a reorganização por falência terá impacto material em nossos resultados financeiros no longo prazo”, escreveu.