Dívida das Casas Bahia pode representar 30% dos valores que dona da Brastemp e Consul tem a receber no Brasil

A varejista enfrenta uma crise bilionária e incluiu a Whirlpool, que opera em Joinville, na lista de credores

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Casas Bahia

Whilpool, dona da Consul e Brastemp, está na lista de credores da Casas Bahia (Foto: Leandro Ferreira, NSC Total)

O valor que a Casas Bahia deve à Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp, pode representar cerca de 30% do que a companhia tem a receber de clientes no Brasil. A varejista enfrenta uma crise bilionária e incluiu a fabricante de eletrodomésticos, que mantém em Joinville a maior fábrica de refrigeradores do mundo, na lista de credores da recuperação judicial.

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Ao todo, a Casas Bahia possui uma dívida de cerca de R$ 17,3 bilhões, segundo o documento de recuperação judicial acessado pela Folha de São Paulo. Para a multinacional, a rede deve R$ 800,9 milhões. Com esse valor, a fabricante aparece como a 11ª maior credora do processo. O NSC Total consultou o último relatório de demonstrativos da Whirlpool, com os resultados do segundo trimestre de 2026, para entender o impacto da dívida nos valores a receber da companhia.

Veja fotos das lojas das Casas Bahia:

Valor que a dona da Brastemp e Consul tem a receber pode chegar a um terço dos montante total

Conforme o relatório com os resultados do segundo trimestre de 2026, o balanço patrimonial consolidado, encerrado em 30 de junho, mostra que o valor a receber de clientes no mercado interno brasileiro era de R$ 2,73 bilhões. Desta forma, ao cruzar os valores, a dívida da Casas Bahia equivale a aproximadamente 30% de todo montante. É válido ressaltar que, essa proporção é uma estimativa e pode variar, já que os dados da Whirlpool refletem os números do período até 30 de junho.

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Veja fotos da fábrica da Whirlpool em Joinville

Veja lista dos principais credores da Casas Bahia

Fabricantes de eletrodomésticos, fornecedores e instituições financeiras estão entre os credores da rede varejista. Além da Whirlpool, a Britânia, dona da Philcoque possui fábrica em Joinville, estão entre eles. Também aparecem marcas como LG, Electrolux, e Samsung.

  • Banco Digio S.A. – R$ 3.277.992.595
  • Banco do Brasil S.A. – R$ 2.990.270.072
  • Zurich Minas Brasil Seguros S.A. – R$ 1.977.313.799
  • Banco Bradesco S.A. – R$ 1.504.226.797
  • IBCB-AF01 Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – R$ 1.085.199.837
  • ICMS – R$ 1.049.858.144
  • Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda. – R$ 937.614.841
  • Intra S.A. – R$ 928.064.945
  • Parcelamentos estaduais – R$ 880.192.207
  • Riza Agronegócio Gestora de Recursos Ltda.- R$ 803.805.363
  • Whirlpool S.A. – R$ 800.949.800
  • Redasset Gestão de Recursos Ltda. – R$ 708.039.413
  • Electrolux do Brasil S/A – R$ 700.087.863
  • LG Eletronics do Brasil LTDA – R$ 623.723.530
  • Motorola Mobility Comércio de Produtos Eletrônicos – R$ 619.003.677
  • MK BR S.A. – R$ 494.524.446
  • Mapfre Seguros Gerais S.A. – R$ 388.000.000
  • Britânia Eletrodomésticos S.A. – R$ 354.786.056
  • Jive Investments Gestão de Recursos e Consultoria S.A. – R$ 354.215.016

O que diz a Casas Bahia sobre a recuperação judicial

O pedido de recuperação judicial foi ajuizado em um contexto de deterioração das condições econômicas e financeiras enfrentadas pela companhia, informou a Casas Bahia em comunicado. “[A empresa] foi impactada, dentre outros fatores, pelo ambiente macroeconômico desafiador, marcado por patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro aliados à não concretização de alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas pela companhia”, diz.

Ainda, informou que no cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial se mostra necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da empresa, que busca preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações

Também cita que, durante o curso do processo de recuperação, a companhia pretende manter suas operações em todos os seus canais existentes, priorizando o atendimento a seus clientes e consumidores, sem interrupções relevantes, e nos níveis de qualidade e serviço atualmente existentes. 

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O que diz juiz no processo

Entre as principais decisões do processo, até o momento, está a obrigatoriedade da empresa manter as entregas de mercadorias já adquiridas e em trânsito, nos prazos e condições originalmente contratados e mantida a prestação dos contratos essenciais já identificados na inicial como fornecimento de energia elétrica, água, serviços de tecnologia e infraestrutura digital, segurança e locação dos imóveis operacionais. Também foi nomeada a realização desse trabalho técnico preliminar pela ACFB Administração Judicial Ltda.