Santa Catarina tem tido, cada vez mais, novos fluxos migratórios internacionais, sendo lar para milhares de pessoas de diferentes origens, como haitianos, venezuelanos e argentinos. É o que diz o atlas elaborado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), divulgado em julho, que traçou o perfil dos imigrantes que buscam o estado para melhores condições de vida.
A elaboração do atlas por pesquisadores foi possível a partir do cruzamentos de dados do Sistema de Registro Nacional Migratório e da Relação Anual de Informações Sociais da Polícia Federal. De acordo com o pesquisador da Udesc, Lucas Matias da Silveira, os dados categorizam informações importantes dessas populações, como sexo, renda, e naturalidade.
A pesquisadora Michelle Stakonski Cechinel aponta que os dados reunidos pelo atlas são reforçados por outros dados já divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas e que, com eles, é possível analisar que Santa Catarina está emergindo como “espaço de acolhimento de imigrantes não só nacionais mas também internacionais de diversos locais”.
— É importante para pensarmos quais são as políticas públicas para acolhê-los, como o trabalho deles contribui para o crescimento do estado e como que a sua cultura contribui pra esse caldo de diversidade cultural que Santa Catarina — explica à NSC TV.
Um dos lugares de acolhimento dessas populações é na pastoral do Migrante, em Florianópolis. A assistente social Maria José Suarez afirma que cada vez mais imigrantes são recebidos nos locais, mas além das oportunidades, eles também encontram desafios.
— [É preciso] ter consciência da necessidade de promover justamente políticas públicas que acompanham isso e que façam uma mudança cultural para radicar a xenofobia. Porque a população imigrante vem com o direito de imigrar […] justamente com equipamentos públicos também preparados para essa demanda que está em crescimento — disse.
Os dados mostram que a população internacional em Santa Catarina é composta, em sua maioria, por haitianos. Ao todo, são 35.536, representando 32,5% dos imigrantes. Em seguida, vêm os venezuelanos, com uma população de 24.797 pessoas (22,7%), além dos argentinos, com 12.786 pessoas no estado, cerca de 11,7%.
Florianópolis é a cidade mais buscada por essas pessoas, sendo o local em que 26% dessas pessoas são acolhidas — cerca de 28.345. A região intermediária de Blumenau também é procurada, com 21,7%, seguida de Chapecó, onde estão 15,1% dos imigrantes.
Em busca de novas oportunidades
Mesmo que seja em busca de novas oportunidades, deixar toda uma história para trás em outro país não é fácil. Maikel Nino Lahera veio de Cuba há sete meses ao lado da esposa, Yulimay Carrion Martinez, “por situações ruins no meu país”. Porém, os filhos de 4 e 8 anos ficaram no país cubano.
— O coração fica apertado. Não sei nem como tenho força de falar isso sem chorar. A menina menor me pergunta por que o tempo passa tão devagar e eu não chego — lembra.
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