A ex-tutora que abandonou uma filhote de cachorro em Joinville foi identificada pela Polícia Civil nessa quinta-feira (7). Na ocasião, o animal chegou a correr atrás da mulher, mas mesmo assim foi abandonado. A ação foi gravada por uma câmera de segurança. A mulher foi indiciada pelo crime de maus-tratos.
A jovem de 22 anos alegou aos policiais que na ocasião, quando abandonou a cachorra em uma via do bairro Adhemar Garcia, encontrou o animal na rua e que, após a negativa do companheiro de manter a cadela na residência do casal, a teria deixado nas proximidades de onde o encontrou.
Desde o episódio do abandono, a Polícia Civil iniciou uma intensa investigação, incluindo a análise de cerca de 20 horas de verificação de imagens de câmeras de segurança.
Mesmo diante das argumentações da mulher, o casal foi indiciado pelo crime de maus-tratos, previsto em lei. A pena pode chegar até cinco anos de prisão. Além disso, não há nenhum elemento que possa comprovar a defesa dos investigados.
Como aconteceu o abandono
Por volta das 20h35min, uma mulher jovem chega à rua Burle Marx, lateral da Waldemiro Rosa, no bairro Adhemar Garcia. A câmera de segurança de um imóvel mostra que ela vai até uma ponta da via e volta diversas vezes. A suspeita, que carrega a filhote no colo, para algumas vezes para verificar se há outra pessoa no local.
O abandono acontece minutos depois, às 20h43min. A mulher se abaixa em uma esquina e deixa a cachorra na calçada. Ela se levanta e sai correndo, mas diminui o ritmo quando está mais afastada do lugar. O animal tenta correr atrás dela, mas acaba ficando para trás.
Cachorro teve final feliz
Mel, como foi batizada a filhote, foi adotada pela família de Abigaiu Gabriela. Foi o sogro dela que acolheu a pequena, que agora tem até “irmãs” caninas.
— Sou proprietária de um banho e tosa e moradora do loteamento que a Mel foi abandonada. Uma vizinha e cliente encontrou ela dentro do terreno e logo já colocou no grupo. No outro dia, relatando para meu sogro o abandono, ele já se prontificou a adotar — conta Abigaiu.
Mel foi retirada das ruas, ganhou um banho, remédios e duas irmãs. A cachorrinha fez a alegria da família que, agora, tem uma cachorra mais velha, uma de seis meses e a mais nova, de cerca de dois meses.
Abigaiu conta que, além do suporte dado a Mel após o abandono, a própria filhote foi uma espécie de cura.
— A cachorrinha que [o sogro] adotou há 6 meses estava depressiva e com ansiedade. Estava comendo o próprio rabo, assim que adotamos [a Mel] ela já parou de se mutilar — explica a nora.
O convívio entre as três cachorras deu mais do que certo. Agora, elas são “cãopanheiras” umas das outras, diz Abigaiu.
*Sob supervisão de Leandro Ferreira
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