Fotos mostram vida e obra de Juarez Machado, de pintor consagrado a mímico no Fantástico

Artista joinvilense morreu na terça-feira (6) no Rio de Janeiro, aos 85 anos

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No Instituto Internacional Juarez Machado, em 2018 (Foto: Salmo Duarte, A Notícia)

Pintor consagrado, desenhista, caricaturista, cenógrafo, escritor, ator e até mímico no Fantástico. Juarez Machado foi um artista nato e completo, que transitou por meio das artes e teve seu nome e arte reconhecidos internacionalmente. Ao longo dos seus 85 anos, deixou registros por onde passou, sejam eles em pinturas ou em fotografias. Viveu marcando os espaços e, agora, imagens podem mostrar um pouco desse caminho.

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Nascido em Joinville em 16 de março de 1941, Juarez viveu parte da juventude na maior cidade catarinense. Transitou por diversos lugares e estilos. Aos 85 anos, vivia no interior do Rio de Janeiro, de onde partiu. Na última semana, o joinvilense que já enfrentava um quadro de Alzheimer também foi diagnosticado com uma pneumonia. A informação da morte foi confirmada pela família nesta terça-feira (6). 

Ainda não há detalhes sobre data, horário ou local para o velório do artista. A assessoria de imprensa do Instituto Internacional Juarez Machado informou que o corpo deve chegar a Joinville na quinta-feira (8). Após o velório, ele será cremado.

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Início da vida de Juarez Machado em Joinville

Apesar da partida deste mundo, Juarez deixa um imenso legado. Filho do caixeiro viajante João de Oliveira Machado e de Leonora Busch Machado, que trabalhava pintando leques em uma fábrica da cidade, tornou-se jornalista e artista, e ajudou a fundar o Instituto Internacional Juarez Machado (IIJM) ao lado do irmão mais novo, Edson Busch Machado.

Foi ainda na infância que Juarez começou a demonstrar seu talento para as artes e a criatividade. Aos três anos de idade fez o primeiro desenho “registrado”: um tanque de guerra desenhado na página de um jornal que noticiava a Segunda Guerra Mundial. O original foi guardado por sua mãe e faz parte do acervo do artista, no IIJM.

Na adolescência, trabalhou como ilustrador de um laboratório farmacêutico e, ao apresentar-se para o serviço militar, foi convocado para trabalhar como artista de painéis do Batalhão de Infantaria. Após servir o exército por um ano, foi para Curitiba, capital do Paraná, estudar na Faculdade de Belas Artes. Na capital paranaense, começou a trabalhar na TV Paraná como cenografista. Foi na época de estudante que recebeu seus primeiros prêmios: 

  • Em 1961, conquistou o 2º lugar de Pintura na Mostra de Jovens Talentos e Menção Honrosa no 13º Salão da Primavera. 
  • Em 1962, levou o 1º prêmio de Desenho e Escultura na Exposição de Jovens Talentos, foi eleito o Melhor Escultor do Paraná no 19º Salão do Paraná; recebeu a  Medalha de Prata no 3º Salão de Curitiba; e Medalha de Bronze na 14ª Exposição de Curitiba.

Após a formatura, mudou-se para o Rio de Janeiro e começou a circular nas mesmas rodas que os grandes ilustradores e escritores de seu tempo: fez amizade com Ziraldo, Jaguar, Millôr Fernandes e outros artistas que trabalhavam nos principais jornais. Em plena ditadura militar, burlava a censura com suas contribuições ácidas a veículos como “O Cruzeiro”, “Fatos e Fotos”, “Desfile”, “Ele e Ela” e “O Pasquim”, além do “Jornal do Brasil”. 

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Na década seguinte, em 1973, Juarez compôs a equipe do Fantástico, o programa dominical da Rede Globo. Ele trabalhava como cenógrafo, produzia cenários e efeitos para vídeos musicais de artistas como Elis Regina, Roberto Carlos, Raul Seixas e Emílio Santiago, considerados visionários para a época

Em 1974, precisou assumir um espaço vazio deixado pela ausência de Chico Anysio, que não pode produzir o episódio de seu quadro de humor no dominical por estar doente. Juarez, que assinava a coluna de humor Nonsense, no Jornal do Brasil, inspirou-se pelo mesmo tipo de humor de suas tirinhas e criou um quadro especialmente para o programa. O resultado foi tão bom que permaneceu na programação. Ele interagia com os próprios desenhos, sempre com o rosto pintado de branco, vestindo uma fantasia, em silêncio e sozinho. 

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Juarez Machado também foi precursor de um movimento no Brasil: o do livro-imagem. “Ida e Volta”, publicado em 1975, fez história como a primeira obra brasileira a ter uma narrativa formada apenas por ilustrações. Como autor, ele também lançou os livros “Domingo de Manhã”, “Limite”, “Saída” e “Emoções”, todos no mesmo estilo.

Juarez se tornou artista internacional 

Em 1986, após procurar por vários países, Juarez encontrou seu lugar no mundo em Montmartre, famoso por ser o “bairro dos artistas” de Paris. Na capital francesa, costumava visitar o Museu do Louvre e outras instituições culturais com frequência para estudar e buscar inspiração. 

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Sua obra chegou a países como Estados Unidos, Portugal, Itália, Japão, Uruguai, Suíça, Líbano, Bélgica e Austrália, em exposições e coleções. Foi em uma exposição em Paris que o cineasta Jean-Pierre Jeunet conheceu as telas do artista brasileiro e encontrou as cores que buscava para usar no filme que estava produzindo, no início dos anos 2000: “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. 

Jeunet fotografou quadros, livros e outros trabalhos de Juarez para mostrar à equipe de filmagem. Além disso, dois quadros de Juarez Machado aparecem no filme, decorando o quarto da protagonista, posicionados ao lado da cama. Depois, ele ainda contribuiu com o cineasta na direção de fotografia de “Eterno Amor”, filme que também era protagonizado pela atriz Audrey Tatou.   

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O legado que deixou em Joinville

Em 2014, Juarez cumpriu uma promessa que fez a si mesmo aos 19 anos, quando estava mudando para Curitiba para estudar por não haver na época, em sua cidade-natal, um espaço para formação de artistas: de que um dia voltaria a Joinville e construiria um centro de referência para a cidade. 

O lugar foi construído no terreno da antiga casa dos pais dele, na rua Lages, com o nome Instituto Internacional Juarez Machado. O espaço possui duas galerias e uma biblioteca dedicada às artes. Além da exposição das obras do artista, o instituto promove exposições de artistas locais, nacionais e internacionais.

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Juarez Machado também dá nome a um dos teatros da cidade, localizado no Centreventos Cau Hansen e inaugurado em 8 de outubro de 2001, há 25 anos. No foyer do teatro estão localizadas duas obras que ele produziu para presentear a cidade: “Autorretrato”, uma escultura em bronze do busto do artista; e “Uma história de amor em Joinville”, tela a óleo de 97cm × 3,94m concebida como uma narrativa visual dedicada à cidade e ao universo teatral, representando atores, palcos, bastidores, cenários e atividades que integram o fazer cênico. 

Ele também foi responsável pela obra que decora o portal de entrada principal do Centreventos Cau Hansen: o mural “O Grande Circo”. O mural tem 90 metros quadrados e é formado por 963 peças cerâmicas pintadas à mão, e foi inaugurado em 1999. 

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*Com informações da jornalista Claudia Morriesen, da Logos Conexão e Conteúdo.