Governadores criticam Bolsonaro, lamentam saída de Moro e oferecem cargos ao ex-ministro

Chefes dos Estados, que passaram a antagonizar debate com presidente durante pandemia, saíram em defesa do ex-juiz federal

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Governadores de Estados do Sul e Sudeste em reunião do Cosud, em Florianópolis (Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini)

Por Carolina Linhares e Isabela Palhares

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Governadores pelo país lamentaram a demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça e elogiaram o trabalho do ex-juiz da Lava Jato. Alguns, como Wilson Witzel (PSC-RJ) e Ratinho Júnior (PSD-PR), ofereceram a Moro cargos em seus governos.

Parte dos governadores, como Flávio Dino (PC do B-MA), também criticaram Jair Bolsonaro, afirmando que Moro indicou crimes cometidos pelo presidente ao anunciar sua demissão nesta sexta-feira (24).

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Os governadores ainda demonstraram preocupação com o agravamento da crise política em meio à pandemia de coronavírus que atinge o país.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou em entrevista coletiva que Bolsonaro é um vírus. "A saída de Sergio Moro é um golpe na Justiça, na democracia do Brasil. Lamento muito que o nosso país tenha que combater e lutar contra dois víruus: o coronavírus e o outro vírus que está no Palácio do Planalto, em Brasília", disse.

"São Paulo reconhece e agradece o trabalho do ministro ao longo de sua atuação sempre foi republicano, correto e agiu de forma diligente", completou. Doria disse ainda que Moro "ajudou a escrever as melhores páginas da história do Brasil".

No Twitter, Doria afirmou que "o Brasil perde muito com saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça". "Moro mudou a história do país ao comandar a Lava Jato e colocar dezenas de corruptos na cadeia. Deu sinal de grandeza ao deixar a magistratura, para se doar ainda mais ao nosso país como ministro", disse.

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"Assisto com tristeza ao pedido de demissão do meu ex-colega, o juiz federal Sergio Moro, cujos princípios adotamos em nossa vida profissional com uma missão: o combate ao crime. Ficaria honrado com sua presença em meu governo porque aqui, vossa excelência, tem carta branca sempre", afirmou o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), convidando Moro para o governo.

O governador do Paraná, estado natal de Moro, Ratinho Jr. (PSD), lamentou a saída do ex-juiz do governo federal. Por uma rede social, o governador afirmou que Moro "é o maior paranaense da história recente".

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"Como juiz e como ministro ajudou a combater a corrupção em nosso país. Lamento muito a sua saída do Ministério da Justiça e Segurança Pública, mas tenho certeza de que ele vai continuar contribuindo com a nação em outros desafios. O Paraná te recebe de braços abertos", escreveu.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), avalia que, com o desembarque de Moro, Bolsonaro perdeu força política. "Ruiu definitivamente o seu suposto compromisso com a luta contra a corrupção", afirma.

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"Mais do que isso: O depoimento de Moro é uma forte prova de vários crimes de responsabilidade. Crimes contra a probidade na administração, em face da falsificação de um ato administrativo, e também crimes contra o livre exercício dos Poderes do Estado, pela interferência política na Polícia Federal para abafar investigações", complementa.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), afirmou que Bolsonaro não está interessado em salvar vidas em meio à pandemia do novo coronavírus, mas sim atuar em defesa de parentes e amigos em possíveis investigações da Polícia Federal. "A cabeça de quem está no comando do governo federal não é salvar vida humana. É pensar nas investigações que estão sendo feitas com parentes ou amigos ligados ao presidente da República", afirmou.

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Ronaldo Caiado (DEM), governador de Goiás que rompeu recentemente com Bolsonaro, afirmou que "Moro tem uma vida de grandes serviços prestados ao país na moralização e no combate à corrupção". "Lamentável que essa situação tenha chegado a esse ponto", disse.

O governador do Pará (MDB), Helder Barbalho, afirmou que Moro foi um grande parceiro e lhe desejou sucesso. "Com seu apoio, atravessamos crises e reduzimos a violência, que continua em queda histórica em nosso estado. O país perde um colaborador da maior grandeza", escreveu.

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O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), lamentou a saída de Moro. "Manifesto minha admiração por tudo que Moro representa ao país no combate à corrupção, seja como juiz ou ministro. O Brasil agradece o trabalho e dedicação daquele que trouxe mais esperança para o nosso povo."

O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), afirmou que os brasileiros perdem com a saída de Moro. "Moro é sinônimo de luta contra a corrupção, condição essencial para a construção de um melhor. Lamento. Seu trabalho sempre foi correto e ético."

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Leia mais: "Seria um sonho tê-lo na composição do governo catarinense", diz Moisés sobre Moro

Camilo Santana (PT), governador do Ceará, afirmou que os fatos alegados por Moro para deixar o governo Bolsonaro são graves. "Órgãos de controle e investigação como a Polícia Federal, devem estar blindados de interferências políticas e atuar sempre com autonomia e isenção, imprescindíveis numa democracia", declarou.

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O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), afirmou que o trabalho técnico, o combate à corrupção e a valorização do mérito foram derrotados. "A saída de Moro, na forma como se deu e pelas motivações apresentadas, em um momento delicado da vida do país, abala os brasileiros que lutam por um país mais justo e transparente."

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), afirmou que a saída de Moro evidencia a instabilidade do governo federal e preocupa pela ingerência política nas ações policiais. "É inaceitável a insistência em criar problemas, diante de uma crise crescente, que ameaça a vida das pessoas. Serenidade e responsabilidade são princípios imprescindíveis", disse em crítica a Bolsonaro.

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Renato Casagrande (PSB), governador do Espírito Santo, disse que a demissão de Moro agrava a crise do governo Bolsonaro. "A permanente instabilidade política mesmo em meio a pandemia fragiliza as instituições democráticas e mantém a angustia dos brasileiros. Governo Bolsonaro perde seu maior selo de qualidade", afirmou.

O governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), afirmou que a demissão de Moro em meio à pandemia de coronavírus "traz profunda preocupação quanto à situação política e institucional do nosso país".

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"As denúncias apresentadas por Moro, ao anunciar sua demissão, são gravíssimas e comprometedoras, exigindo esclarecimentos convincentes do presidente da República, sob pena de fragilizar as nossas instituições republicanas e democráticas, exatamente quando o Brasil precisa, mais do que nunca, de estabilidade para enfrentar o momento crítico que vivemos", completou.