Com um bom humor inegável e uma voz reconhecida mesmo de longe, Dona Tereza Maria da Silva é uma das figuras mais emblemáticas de Balneário Camboriú. Quem circula pela cidade já sabe que, ao ouvir o famoso bordão “olha a cocaaaada”, é sinal de que a vendedora está por perto, levando diversos quitutes preparados por ela mesma em uma bandeja equilibrada sobre a cabeça.
Foi assim que ela se tornou a “Tia da Cocada”, apelido carinhoso que ganhou força entre a comunidade e transformou a doceira em uma personagem da vida cotidiana do município. Natural de Pernambuco, Tereza também morou em São Paulo e no Paraná, onde se tornou referência como mãe social em um projeto de acolhimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
A história da vendedora, conhecida pelo jeito irreverente e pela presença marcante nas ruas da cidade, inspirou até mesmo um documentário. Intitulado “Tereza – Além da Cocada“, o curta-metragem produzido por Emílio Padisil e Marcio Roberto Gonçalves resgata a trajetória da mulher que, antes de conquistar a clientela no Litoral Norte catarinense, dedicou 14 anos da vida ao acolhimento de menores desassistidos em Araucária, no Paraná.
Tereza é figura conhecida em Balneário Camboriú
Muito antes de espalhar doçura pelas ruas da “Dubai brasileira”, Tereza dedicou 14 anos ao trabalho como mãe social. Na função, acolhia crianças e adolescentes que haviam sido abandonados ou não tinham condições de permanecer com as famílias, oferecendo um ambiente familiar e acompanhando diferentes etapas do desenvolvimento dos jovens.
Segundo o relato de Tereza ao documentário, ela acolheu sozinha cerca de 70 jovens durante o período de voluntariado. Todos moravam na casa da mãe social, onde recebiam afeto, atenção e cuidado. “Da mesma maneira que ela tratava os dois filhos de sangue, era como ela tratava nós. Se não fosse ela na minha vida, eu não estaria aqui hoje, sinceramente”, relatou Carlos Martins, filho adotivo da vendedora.
O trabalho envolvia muito mais do que oferecer um lugar para morar. Tereza também ajudava a garantir acesso à saúde, à educação, ao lazer e à profissionalização, contribuindo para que os jovens tivessem oportunidades de construir o próprio futuro.
Hoje, muitos dos que passaram pela casa de Tereza já constituíram família e concluíram os estudos. Mesmo depois de seguirem caminhos diferentes, eles mantêm contato entre si, preservando os laços criados durante o período de acolhimento.
O bordão mais famoso de Balneário Camboriú
Descascar e picar a fruta, preparar o doce e, por fim, embalar as cocadas. Tudo é feito por Dona Tereza, desde os primeiros cortes no coco até a venda dos produtos. Ela conta que, quando chegou a Balneário Camboriú, enfrentou dias difíceis por não conhecer ninguém na cidade. Foi então que teve a ideia de começar a vender doces pelas ruas, atividade que acabou se tornando uma marca registrada.
Hoje, a rotina é conhecida por quem circula pelo Centro de Balneário Camboriú. Tereza vende cocadas e outros quitutes preparados artesanalmente, carregando uma bandeja equilibrada na cabeça ou conduzindo um carrinho. O bordão prolongado, anunciado com bom humor, virou marca registrada e faz com que moradores e turistas reconheçam a vendedora mesmo antes de vê-la.
Além do que todos veem e conhecem, dona Tereza carrega história de alguém que passou anos cuidando de outras pessoas e que, agora, faz parte da memória afetiva de uma cidade.






