“Lista de estupráveis”: Alunas da Udesc cobram providências após descoberta de grupo ofensivo e uso de IA

Diversas vozes de uniram em uma manifestação pacífica nessa segunda-feira (17), pedindo por medidas mais rigorosas após caso de assédio

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Estudantes pedem respostas à Udesc e solicitam o afastamento dos alunos mencionados nas denúncias (Foto: Arquivo Pessoal)

“A vida começa quando a violência termina”. Essa e diversas outras frases estamparam cartazes, faixas e bandeiras durante uma manifestação realizada no final dessa segunda-feira (17), na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Balneário Camboriú. A ação acontece após acadêmicas terem denunciado a existência de um grupo com mensagens de teor sexual sobre colegas, incluindo uma suposta “lista de estupráveis”, e faz parte de uma série de ações que cobram providências sobre o caso. Questionada, a UDESC não retornou contato até a publicação desta matéria, o espaço segue aberto.

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De acordo com uma aluna da instituição, a mobilização começou ainda na parte da manhã, com a confecção de cartazes e itens para o protesto, e seguiu durante a tarde com uma programação voltada ao acolhimento das estudantes. Algumas das vítimas participaram de uma roda de conversa com psicóloga, além de atividades como massagem e yoga, com o objetivo de promover um ambiente mais acolhedor para as estudantes.

No início da noite, acadêmicas e apoiadores se concentraram no campus para acompanhar as falas de vítimas e de mulheres envolvidas no movimento. Além da manifestação, as jovens também lançaram na última sexta-feira (14), um abaixo-assinado que pede o afastamento cautelar dos alunos envolvidos no caso enquanto a investigação não é concluída. O documento já reúne mais de 2,4 mil assinaturas.

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A principal reivindicação é que os estudantes citados nas denúncias sejam afastados temporariamente das atividades acadêmicas. Segundo as estudantes, algumas das vítimas precisaram deixar de frequentar as aulas presencialmente, enquanto os alunos investigados continuaram participando normalmente das atividades da universidade.

Apesar de o caso ter vindo à tona no mês de agosto, as denúncias foram apresentadas à universidade há cerca de três meses. Segundo as acadêmicas, durante esse período, os alunos investigados continuaram frequentando a universidade normalmente. Na sexta-feira (14), após as primeiras mobilizações, eles foram colocados em aulas no formato EAD, conforme relato das estudantes.

As acadêmicas, porém, afirmam que a medida não representa um afastamento dos alunos, já que eles continuam acompanhando as aulas de casa e, segundo elas, sem qualquer penalização. A principal reivindicação do movimento é justamente o afastamento cautelar dos estudantes enquanto as investigações continuam.

Procurada pela reportagem do NSC Total à respeito da reinvindicação das alunas, a Udesc não forneceu um retorno até a publicação da matéria. O espaço segue aberto.

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Alunos trocavam mensagens de cunho sexual e utilizam IA em foto de alunas

Em Balneário Camboriú, alunas da Udesc descobriram um grupo de conversa entre estudantes homens, em um aplicativo de mensagens, onde eles falavam pejorativamente da conduta das colegas, faziam afirmações de cunho sexual e também pejorativas. Além disso, denúncias apontam que havia ainda imagens motificadas por inteligência artificial (IA) das alunas.

Na tarde da última quinta-feira (13), a reitoria da universidade afirmou ter tomado conhecimento dos fatos e destacou que a instituição está tomando todas as medidas cabíveis. Apesar de ter repercutido como “lista de estupráveis”, o professor Oséias Alves Pessoa, diretor-geral do Centro de Educação Superior da Foz do Itajaí (Cesfi), afirmou que não há uma listagem de nomes, e sim conversas de cunho sexual sobre alunas.

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Em nota publicada, a reitoria afirma que uma comissão de sindicância investigativa foi instituída na unidade para apurar os fatos, identificar as circunstâncias e eventuais responsáveis. Além disso, a universidade afirma ainda que repudia qualquer forma de violência, assédio, discriminação, desrespeito e misoginia, e outras situações que atentem contra a dignidade das mulheres.

O procedimento interno tramita em sigilo e também deve analisar a conduta dos estudantes envolvidos, que são do curso de Engenharia do Petróleo, para verificar se houve práticas de caráter sexista, machista, assédio ou outras formas de violência e contra as alunas. Além disso, a Polícia Civil também abriu um inquérito para investigar o caso.

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Mulheres da universidade foram alvo de estudantes

De acordo com o professor Oséias Alves Pessoa, diretor-geral do Centro de Educação Superior da Foz do Itajaí (Cesfi), a universidade foi surpreendida com a denúncia. Segundo ele, o relato das estudantes aponta a existência de um grupo de mensagens entre alunos da Udesc, onde há mensagens como “essa eu passava …”, “essa ficou com todo mundo”, citando diretamente algumas mulheres.

Entre as meninas citadas, quatro delas já compareceram a delegacia para o registro do Boletim de Ocorrência. De acordo com a universidade, cerca de seis alunos são citados como integrantes do grupo, mas a instituição ainda desconhece o número exato de responsáveis.

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O diretor-geral ainda afirma que as mensagens trocadas são “extremamente graves”, e destaca que já foi criada uma comissão investigativa para apurar administrativamente a situação. O caso está em fase inicial de investigação, e de acordo com Oséias, será administrado com rigor.

Existe sim, falas (no grupo) que destoam daquilo que se espera dos nossos acadêmicos. Por isso, seremos rigidos na apuração e daremos resposta dentro do ordenamento juridico.

Caso foi descoberto pela namorada de um dos estudantes

O caso foi descoberto pela namorada de um dos estudantes envolvidos no caso. A jovem, que não frequenta a Udesc, teve acesso ao conteúdo do grupo e foi a responsável por fazer a denúncia à uma das meninas citada pelos acadêmicos. Agora, além do processo administrativo na própria universidade, o caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Balneário Camboriú.