Mário Motta revela como foi participar do primeiro evento-teste de SC: “Espetacular”

Apresentador da NSC TV foi o Mestre de Cerimônias do evento

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Na noite desta quinta feira, 29, vivenciei um dos momentos mais emocionantes de minha vida profissional e pessoal. Brindado com o convite para ser o Mestre de Cerimônias do primeiro evento-teste de Santa Catarina durante a pandemia, com a apresentação da Camerata.  

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Cheguei cedo ao CIC. O relógio marcava em torno de 18h50. A abertura das portas do Teatro Ademir Rosa estava marcada para às 19h30 e o espetáculo estava previsto para iniciar às 20h.  

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Não me surpreendi pela gentileza como fui recebido pelo responsável pela portaria do CIC, que além de me orientar onde estacionar, fez questão de me acompanhar até a porta de entrada da produção, devidamente protegido por máscara dupla e proteção tipo face-shield. Percebi que ele estava bastante eufórico e não fez questão de esconder sua emoção.  

Me disse que a impossibilidade da realização de eventos transformou o CIC num “cemitério” e que ele não via a hora desse retorno.  

— Adoro estar perto de gente seu Mário e faz um bom que estou sozinho por aqui — disse. 

Assim como eu, todos os integrantes da produção e apoio, músicos e a plateia formada apenas por moradores da Grande Florianópolis, completamente imunizados com as duas doses ou dose única da vacina contra a Covid 19, respeitando o intervalo após a vacinação.  

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Todos nós passamos pelo teste RT-PCR, sob supervisão de especialistas e professores da Unisul e Univali, as duas instituições universitárias de Santa Catarina que voluntariamente se dispuseram realizar o apoio, a orientação, a coleta de dados e a tabulação em que se transformou o que, para muitos seria apenas um grande evento musical. 

Nos camarins, músicos já afinavam seus instrumentos e o pessoal técnico dava os últimos retoques para que tudo saísse como o previsto. Mas ninguém escondia a emoção que podia ser sentida em cada cumprimento (mesmo à distância), cada fala e cada olhar, uma vez que a utilização das máscaras PFF2 era equipamento obrigatório durante toda a permanência nas dependências do CIC. 

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E mesmo com máscaras, sabemos quando o outro está sorrindo — basta direcionar olho-no-olho.  

Até para a plateia havia essa exigência e caso não estivesse com a máscara exigida pelo experimento científico, o espectador recebia a máscara correta para que todos os participantes do evento portassem o mesmo equipamento, ratificando a seriedade científica de sua organização.  

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Além disso, outros aspectos importantes foram previstos. Todos tinham lugares previamente determinados na plateia, distanciamento de 1,5m, poltronas marcadas, regiões determinadas por cores na plateia com portões específicos de entrada e saída e a não permissão para o consumo de alimentos ou bebidas dentro do Teatro.  

E o experimento estava apenas começando. No próximo dia 3 de agosto, todos os participantes deverão retornar ao CIC para um novo Teste RT-PCR que irá confirmar a condição de todos e até onde o evento interferiu na condição de saúde de cada um. 

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> Quais cidades já tiveram eventos-teste desde o início da pandemia?

Sobre o maravilhoso espetáculo proporcionado pelos músicos da Camerata Florianópolis, sob a impecável regência do Maestro Jeferson Della Rocca e a participação especial dos solistas Iva Giracca (violino) e Alberto Heller (piano), apenas a sempre surpreendente capacidade de superar as apresentações anteriores. Espetacular. 

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E para o público que, emocionado e num silêncio contrito, apenas reforçou com exemplar conduta, a frase de Aldous Huxley que afirma que: “Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música”.  

Não bastasse a qualidade musical da Camerata, os mínimos detalhes previstos pela organização e o clima de reencontro de um público com a música e a cultura, a noite ainda reservava outro momento marcante.  

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A apresentação do cantor, compositor e pianista Everton Leonardo Drechsler (conhecido pelo nome artístico de Jack), que apresentou uma composição feita em homenagem ao pai, no dia em que, internado com a Covid 19, era entubado e lutava desesperadamente pela vida. Sua emoção ao traduzir a melodia contagiou a todos. 

Felizmente o pai sobreviveu e hoje orgulha-se do carinho recebido na inspiração do filho e ao vê-lo dividir com a plateia sua emoção.  

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Para o Maestro Jeferson Della Rocca que, desde 12 de março de 2020 não se apresentava no CIC, a noite foi de felicidade e esperança. Finalmente a Camerata pôde estar em contato com o seu público mais uma vez. E ele não se conteve, ao conduzir o “bis” pedido pela plateia, trazendo o maravilhoso tango composto por Carlos Gardel e La Pera – Por uma cabeza (trilha do filme Perfume de mulher).  

Mais emoção que tudo isso reunido, foi acompanhar a saída do público das dependências do teatro num misto de organização (fila após fila), êxtase e gratidão pela noite vivida.  

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Que tenha sido esse o primeiro de muitos eventos que possam acontecer na medida em que a Pandemia se transforme num capítulo triste da história da humanidade.