“O cara virou um parasita”, diz ministro Paulo Guedes sobre servidores

Chefe da pasta da Economia criticou reajustes acima da inflação e disse que proposta da reforma administrativa deve ser enviada ao Congresso na próxima semana

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Fala de Guedes ocorreu em palestra que fechou seminário sobre pacto federativo (Foto: José Cruz, Agência Brasil, arquivo)

Em defesa do projeto de emergência fiscal, o ministro da Economia, Paulo Guedes, comparou servidores públicos a parasitas, que estão matando o hospedeiro (o governo) ao receberem reajustes automáticos enquanto estados estão quebrados.

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— O funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação, além de ter estabilidade na carreira e aposentadoria generosa — afirmou.

— O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita", afirmou, defendendo o fim dos reajustes automáticos.

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O projeto está em análise no Congresso e abre a possibilidade de estados em crise adotarem medidas emergenciais, como a suspensão dos reajustes. Seriam elegíveis estados que ultrapassarem indicadores máximos de endividamento ou gastos obrigatórios.

Para defender a proposta, Guedes citou pesquisa Datafolha que diz que 88% dos brasileiros são à favor da demissão de servidores por mau desempenho.

— A população não quer mais isso — afirmou.

Ele criticou também repasses obrigatórios aos Legislativos e Judiciários estaduais -conhecidos como duodécimos- e tempos de crise, alegando que enquanto os demais poderes mantém os salários em dia, governadores são obrigados a cortar serviços essenciais.

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As carreiras do serviço público serão discutidas também na proposta de reforma administrativa, que o presidente Jair Bolsonaro pretende enviar ao Congresso na próxima semana.

Para defender as mudanças, o governo tem argumentado que os custos do funcionalismo dispararam nos últimos anos, sem melhora correspondente na qualidade do serviço prestado. A ideia é reduzir a velocidade das promoções e a estabilidade do servidor.

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A pedido de Bolsonaro, o projeto não vai mexer com os funcionários da ativa, mas apenas com os novos.

Após a reforma administrativa, o governo pretende enviar ao Congresso a reforma tributária. Deputados e senadores já trabalham nos projetos do pacto federativo e reequilíbrio financeiro de estados e municípios.

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Ao falar da reforma administrativa, o ministro da Economia lamentou a possibilidade de perda de Mansueto que, segundo ele, estaria recebendo propostas para deixar o governo e assumir cargo na iniciativa privada ou em instituição multilateral.

O secretário foi citado como exemplo da velocidade com que são conferidas as promoções no serviço público.

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— Tem gente que entrou há cinco anos lá [no serviço público federal] e está ganhando só 15% a menos que o Mansueto, que tem 20 anos de experiência — comentou o ministro.

Segundo Guedes, "tem muita gente correndo atrás dele".

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— Eu acho até que vamos perder ele brevemente. A sereia [está] o tempo todo chamando — afirmou.

Não foi a primeira vez em que Guedes demonstrou preocupação com a perda do secretário, que batiza o chamado Plano Mansueto, de reequilíbrio fiscal dos estados e revisão do pacto federativo. Em dezembro, o ministro já havia dito que Almeida poderia "decolar".

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Guedes quer lhe dar o comando do Conselho Fiscal da República, órgão previsto na PEC do pacto federativo para acompanhar as contas dos estados e municípios. O conselho terá participação de Executivos, Legislativos e Judiciários nas três esferas de governo.

No evento, Guedes retomou a defesa do sistema de capitalização para a Previdência e voltou a falar na possibilidade de perda do secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, em discurso nesta sexta (7) no Rio.

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O modelo de capitalização era parte de sua proposta original, mas acabou sendo derrubada pelo Congresso durante a tramitação da reforma em 2019.

O ministro argumentou que, para o país, é mais fácil garantir um retorno mínimo sobre o investimento do trabalhador ao longo da vida "do que prometer o que não pode cumprir".

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Ele propõe que o governo estabeleça um patamar mínimo de retorno – "inflação e mais alguma coisa" – para que empresas privadas ofereçam o serviço de capitalização.

Caso um desses prestadores não consiga obter o retorno mínimo, teria que colocar dinheiro próprio para cobrir a diferença. No terceiro ano seguido de rendimento menor do que o estipulado, seria descredenciado da Previdência.

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— Vamos fazer capitalização com mínimo garantido. Dá uma oportunidade, dá um responsabilidade para o jovem — disse ele, afirmando que o poupador poderia buscar alternativas no mercado para ter melhor rendimento.

Na aposentadoria, se os recursos acumulados forem insuficientes para garantir o mínimo, afirmou, o governo entraria com a diferença.

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— Deu menos, o nosso subsídio é menor. É muito mais fácil ajudar alguém a ter a garantia do mínimo, quando levou recursos para o futuro, do que prometer algo que não se pode cumprir — argumentou o ministro.

Ele defendeu ainda que esse modelo permitiria melhor alocação da poupança brasileira, ao invés de usar os recursos dos trabalhadores para empresar dinheiro subsidiado pelo BNDES.

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Guedes fez críticas ao governo da França, afirmando que as acusações contra Bolsonaro a respeito de queimadas na Amazônia são motivadas por medo das exportações agrícolas brasileiras quando o acordo Mercosul União Europeia entrar em vigor.

A França se tomou o centro das preocupações da elite militar brasileira como principal fonte de ameaça estratégica para o país nos próximos 20 anos, segundo documento ao qual a Folha teve acesso.

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A visão foi colhida pelo Ministério da Defesa com 500 entrevistados em 11 reuniões no segundo semestre de 2019 e incluída na minutoa "Cenários da Defesa 2040".

Em 2019, o presidente francês Emanuel Macron levou o tema Amazônia ao G7, o grupo das sete maiores, abrindo uma crise diplomática com o governo Bolsonaro.

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A briga culminou com ofensas do presidente brasileiro e do próprio Guedes à primeira-dama francesa Brigitte Macron. Primeiro, o Bolsonaro comentou "não humilha, cara kkkkk" em mensagem no Twitter que comparava Brigitte à sua esposa, Michelle.

Dias depois, ao comentar o caso em evento com executivos, Guedes disse que Brigitte "é feia mesmo". Na mesma noite, ele divulgou nota se desculpando pelo que chamou de "brincadeira".

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Por Nicola Pamplona