O casarão de 240 anos na Costa da Lagoa, em Florianópolis, que já virou filme

Projeto mapeou intervenções necessárias e atua na restauração da estrutura para implementar planos de uso comunitário da edificação

Compartilhe:

Casarão histórico foi construído em meados de 1780 (Foto: Nathalia Fontana, NSC Total)

Quem caminha pela trilha da Costa da Lagoa viaja também por uma comunidade quase intocada no espaço e tempo. Por ali, com acesso feito somente por barco e trilha, mantêm-se costumes, histórias e construções históricas que marcam a tradição do local. Entre elas, destaca-se o Casarão da Dona Lóquinha, construção que virou até tema de filme.

Continua após a publicidade

Receba notícias de Florianópolis e região pelo WhatsApp

Com quatro janelas no andar superior e duas portas grandes, que dão de frente para o caminho da Costa da Lagoa, o sobrado em estilo colonial se destaca em meio à vegetação e é considerado um exemplar único em Santa Catarina. Registros da Fundação Catarinense de Cultura apontam que ele foi construído em meados de 1780, possivelmente por pessoas escravizadas.

Continua após a publicidade

Dona Lóquinha, chamada Emilia Felix Ramos, viveu entre 1895 e 1991. Ela foi a última moradora da casa, junto ao marido Casimiro Idalino Ramos e a Dona Maria (Tomé) de Jesus.

Linha do tempo do casarão

Em 1985, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) reconheceu o Caminho da Costa da Lagoa e seu entorno como Patrimônio Histórico, Artístico e Natural de Florianópolis. No ano seguinte, ele foi tombado por decreto municipal.

No ano de 1991, o casarão foi vendido. Sem moradores, nem uso, a mata começou a tomar conta da edificação, com plantas nascendo nas paredes, desalinhando telhas e umedecendo interior. O local ficou deteriorado, até um grupo de profissionais de arquitetura e museologia se unirem aos proprietários para a restauração.

Já em 2018, o casarão passou a ser reconhecido como patrimônio pela comunidade da Costa da Lagoa, através dos trabalhos da pesquisadora Sônia Marisa Melim Rocha. Em 2021, foi criado o projeto “Viva o Sobrado! Casarão da Dona Lóquinha”, que foi contemplado com o Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura. No mesmo ano, foi criado o “Refúgio de Vida Silvestre Municipal Meiembipe”.

Continua após a publicidade

Durante o ano seguinte, foram feitas ações emergenciais na estrutura, e em 2023 ações de estabilização no telhado. Também foi inscrito o Projeto de Restauro e Adaptação ao Uso Comunitário no Programa de Incentivo à Cultura (PIC). O objetivo final do projeto é que o casarão possa ser reaberto para a comunidade, após os trabalhos de restauração.

Documentário “O Diagnóstico”

Durante o primeiro semestre de 2022, foi desenvolvido o Diagnóstico do Estado de Conservação do imóvel, um documento que possibilitou definir quais seriam as intervenções necessárias para restaurar a edificação, e futuramente abri-lo ao público. Todo esse processo foi gravado e resultou no documentário “O Diagnóstico”.

Continua após a publicidade

A ideia é compartilhar com a comunidade da Costa da Lagoa, e também com os interessados no patrimônio, como foram feitas as ações para o trabalho de conservação. Com imagens históricas e atuais, além de depoimentos de quem atuou no processo e da comunidade local, o documentário conta ainda com composições feitas especialmente para o para o filme. A direção e montagem é de Fernanda do Canto e Natália Poli, e a produção da Tombô Vídeos.

Assista ao documentário

Veja fotos do Casarão da Dona Lóquinha

Leia também

A luta para preservar a “floresta superpoderosa” ameaçada em Florianópolis

Continua após a publicidade

Baleias em SC arrastam multidão e transformam pontos turístico de verão em atração de inverno