Nas aulas de história, ainda na escola, os alunos aprendem sobre a Revolução de 1930, movimento armado liderado por Getúlio Vargas que marcou o fim da República Velha e da “política do café com leite”, presente em estados como Minas Gerais e São Paulo desde 1889. Em Santa Catarina, os impactos foram sentidos na maioria das cidades, com tropas revolucionárias, principalmente do Rio Grande do Sul.
De acordo com registros do jornal O Estado, do dia 25 de outubro de 1930, a entrada das Forças Revolucionárias em Santa Catarina aconteceu, nos dias anteriores, por meio da linha férrea São Paulo – Rio Grande, que passava pelo Norte e Centro de Santa Catarina, conectando municípios como Mafra, Canoinhas, Porto União, Rio Caçador e Calmon, pelo município de Vacaria, na divisa do Rio Grande do Sul com o território catarinense, e por Passo de Torres, antes chamado de Passo do Sertão.
Em municípios como Araranguá, Criciúma, Imbituba, Garopaba, Palhoça e São José, não houve resistência. Mas em Florianópolis, a capital do Estado, não foi bem assim. O governo do Estado, com o recém-empossado Fúvio Aducci, conforme conta o jornal catarinense, começou a procurar civis para bater de frente com as tropas.
“Procurou-se mesmo contar com o funcionalismo público. Era difícil. Pequeno número, entretanto, se apresentou para vigiar as praias da cidade durante a noite. Outros voluntários, pessoas amigas da situação, se declararam dispostos a defender a capital, em caso de ataque”, relembra o jornal.
Na cabeceira da Ponte Hercílio Luz, à época único acesso à Ilha de Santa Catarina, foram cavadas trincheiras na parte insular com fuzileiros navais. Ainda, para evitar que os revolucionários chegassem até a ilha, foram arrancados 30 metros de assoalho da Ponte e trançados, lado a lado, fios de arame farpado.
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“Desolador”
O jornal também descreveu como “desolador” o aspecto de Florianópolis, com “noites trágicas, patrulhada rigorosamente”, e o barulho intenso do canhoneio da Marinha. Foi no dia 24 de outubro de 1930, com a deposição do então presidente Washington Luís para a tomada de poder por Getúlio Vargas, que o cenário mudou.
Segundo o jornal, com isso, o governador do Estado, acompanhado de seus secretários e outras pessoas próximas, decidiu abandonar a capital, embarcando pelo trapiche da Praia de Fora.
“Diante disso, o capitão Cantidio Regis, da Força Pública, tomou a deliberação de levar esse fato ao conhecimento do Comando Revolucionário. Chamou o sr. Benedicto Jorge e mandou o hastear a cabeça da ponte uma bandeira branca, dando vários disparos para o ar. Imediatamente, foram recolocados pranchões na Ponte, e do lado do continente veio ao encontro do capitão Regis o capitão Othelo Frota, a quem foi declarada a capitulação”, descreveu a imprensa.
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