O lançamento da licitação para a construção do Parque Inundável Multiuso da Bacia do Rio Camboriú, com orçamento de R$ 95,2 milhões, deve provocar efeitos que vão além da segurança hídrica da região. O mercado imobiliário acredita que a obra pode provocar a valorização dos imóveis próximos.
Na avaliação de Lauricio Leal, dono da Imobille Negócios Imobiliários, projeções preliminares apontam uma valorização imobiliária de 20% no entorno do parque. Na visão dele, o projeto tem potencial para mudar a percepção sobre uma área de Camboriú que ainda possui grande espaço para expansão.
“Estamos falando de uma obra que resolve questões fundamentais, como enchentes e segurança hídrica, mas que também pode criar uma nova centralidade para Camboriú. Quando uma região recebe infraestrutura, áreas de convivência, lazer e possibilidades de desenvolvimento turístico, ela passa a ser enxergada de outra forma pelo mercado”, afirma Lauricio.
De área de contenção de cheias a novo polo de lazer
Previsto para uma área próxima ao Loteamento Jardim Europa, o parque inundável foi concebido inicialmente para enfrentar dois desafios históricos da região: as inundações e a necessidade de ampliar a reserva de água para abastecimento de Camboriú e Balneário Camboriú.
O projeto prevê um dique com aproximadamente 1,6 quilômetro de extensão e 7,6 metros de altura, além de reservatórios, canais, estruturas de escoamento e redes de drenagem.
Mas o conceito desenvolvido para o parque também apresenta possibilidades de ocupação que podem transformar a região em um grande espaço de lazer, turismo e convivência. Entre as sugestões de uso apresentadas para o complexo estão praça, área de praia, setor de eventos, jardim botânico e planetário, resort, campo de golfe, áreas de preservação permanente com trilhas para caminhada e espaços destinados a esportes de aventura.
Essas estruturas complementares não integram necessariamente a primeira etapa da obra e dependem de projetos e definições futuras, mas demonstram o potencial de ocupação pensado para a área.
“Quando olhamos o conceito completo, percebemos a dimensão que esse projeto pode alcançar. Existe a possibilidade de termos ali um espaço com natureza, esporte, eventos, turismo, gastronomia e lazer, além da própria função ambiental. Um parque dessa escala pode criar um novo vetor de desenvolvimento para Camboriú e aproximar ainda mais o município de uma dinâmica de valorização que Balneário Camboriú já vive há muitos anos”, avalia Lauricio.
Infraestrutura muda o mapa da valorização imobiliária
Na avaliação da Imobille, investimentos estruturantes têm influência direta na escolha de onde morar e investir. Questões como mobilidade, drenagem, áreas verdes, lazer e segurança diante de eventos climáticos passaram a pesar cada vez mais na percepção de valor dos imóveis.
No caso do parque inundável, há ainda um diferencial: a intervenção combina infraestrutura urbana com uma área de aproximadamente 600 hectares prevista para implantação do projeto. Para Lauricio, essa dimensão pode provocar uma mudança gradual no perfil imobiliário do entorno:
“Hoje, quem olha para determinadas regiões de Camboriú talvez ainda enxergue áreas mais afastadas dos principais eixos de valorização. Uma intervenção desse porte muda essa lógica. O mercado começa a antecipar movimentos, terrenos passam a despertar mais interesse, novos empreendimentos chegam e, aos poucos, serviços e comércio acompanham esse crescimento”, explica.
Segurança contra enchentes também entra na conta
Outro aspecto considerado relevante pelo mercado imobiliário é a própria função de contenção de cheias. O parque foi planejado para armazenar temporariamente parte da água durante períodos de chuva intensa, diminuindo a velocidade e o volume que chegam às áreas urbanizadas.
A expectativa apresentada pelo prefeito de Camboriú, Leonel Pavan, durante o lançamento da licitação, é de que o empreendimento possa reduzir entre 60% e 70% as inundações. O percentual é uma projeção apresentada pelo município e dependerá do funcionamento do sistema após sua implantação.
Para a Imobille, aumentar a segurança de áreas historicamente sujeitas aos efeitos das chuvas também interfere diretamente na atratividade imobiliária.
“Hoje, o comprador não avalia somente metragem, acabamento ou localização. Ele quer saber como aquela região estará daqui a dez ou 20 anos. Segurança hídrica, drenagem e planejamento urbano passaram a fazer parte dessa decisão. Uma obra que reduz vulnerabilidades e, ao mesmo tempo, cria qualidade de vida tem um peso muito grande na valorização”, destaca.
Licitação prevê investimento de R$ 95,2 milhões
A obra deve custar, inicialmente, R$ 95,2 milhões. Desse total, R$ 73,3 milhões são recursos federais do Novo PAC, operacionalizados pela Caixa Econômica Federal, com contrapartida do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Região da Amfri (CIM-Amfri).
A concorrência para escolha da empresa responsável pela execução está aberta e as propostas poderão ser apresentadas até 13 de outubro.
Além do dique e das estruturas hidráulicas, estão previstos no projeto vias internas, iluminação, sinalização, paisagismo, mobiliário urbano, recuperação de áreas degradadas, recomposição de vegetação e medidas de controle de erosão e assoreamento. O prazo previsto para execução é de 31 meses a partir da ordem de início.
Somadas as desapropriações que ficarão sob responsabilidade da prefeitura de Camboriú, o investimento relacionado à implantação poderá ultrapassar R$ 100 milhões. A expectativa é que as obras possam começar ainda em 2026, mas o cronograma depende da conclusão da licitação, liberação das áreas, licenciamento ambiental e demais autorizações.
Para a Imobille, o avanço do projeto para a fase de contratação é justamente o que começa a tornar mais concreta uma transformação discutida há anos na região.
“Uma coisa é existir uma ideia no papel. Outra é termos uma licitação de quase R$ 100 milhões lançada e um cronograma para execução. O mercado acompanha esses sinais. Se todo o potencial projetado para essa área for desenvolvido ao longo dos próximos anos, não estaremos falando apenas de um parque, mas do surgimento de uma nova região de interesse imobiliário e econômico em Camboriú”, finaliza Lauricio.



















