PGR avalia ação no STF contra indulto de Bolsonaro a policiais do Carandiru

Augusto Aras ordenou que sua equipe de direito constitucional avalie o benefício dado por Bolsonaro

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(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pode contestar no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o indulto do presidente Jair Bolsonaro (PL) que beneficiou policiais condenados pelo massacre do Carandiru. A ação pedida por Aras à sua equipe deve ser apresentada ao Supremo na segunda-feira (26).

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Na quinta-feira (22), Bolsonaro fez um indulto de Natal para beneficiar policiais e militares das Forças Armadas. Um dos artigos beneficia 74 PMs condenados por assassinato. Os policiais foram sentenciados pelo Tribunal do Júri a punições que vão de 48 anos a 624 anos de prisão pela morte de 111 presos no Pavilhão 9 da penitenciária em São Paulo, em 1992. As penas foram confirmadas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

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Na sexta-feira (23), Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente, defendeu os policiais condenados. Segundo ele, os autores dos homicídios “cumpriram sua missão” e houve “perseguição” e “acusações genéricas” contra os condenados.

Augusto Aras e seus assessores estranharam a ampliação do benefício, segundo a reportagem apurou. O procurador-geral ordenou que sua equipe de direito constitucional avalie o benefício dado por Bolsonaro. O entendimento inicial é que o decreto, ou ao menos parte dele, fere a Constituição.

Não é a primeira vez que o Ministério Público vai à Justiça contra um indulto. Em 2017, o presidente Michel (MDB) Temer concedeu regras mais brandas para réus condenados por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. Mas o Supremo confirmou o indulto do presidente por 7 votos a 4.

Bolsonaro havia prometido em campanha que não faria indultos de Natal como seus antecessores, Temer, Dilma Rousseff (PT) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – mas em todos finais de ano de sua gestão e ele baixou a norma para perdoar crimes de pessoas que já tiveram seus casos analisados pela Justiça.

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O que são indultos de Natal?

Servem para reduzir ou extinguir penas de presos condenados que estão com a saúde comprometida ou no fim da vida – com doenças como câncer e aids. Os maiores de 70 anos que cumpriram um terço da pena fazem parte de outra categoria beneficiada.

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Nos últimos anos, porém, indultos acabaram por beneficiar outras categorias de réus condenados pela Justiça – muitas vezes em três instâncias.

*Por Eduardo Militão.

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