Pobreza e extrema pobreza no Brasil caem e chegam ao menor nível desde 2012

O estudo leva em consideração os parâmetros do Banco Mundial, com cálculos pela Paridade do Poder de Compra (PPC)

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Entre a população 10% mais pobres, a renda cresceu 13,2% em um ano (Foto: Banco de Imagens)

Entre a população 10% mais pobres, a renda cresceu 13,2% em um ano (Foto: Banco de Imagens)

Os níveis de pobreza e extrema pobreza caíram entre 2023 e 2024 no Brasil, chegando aos menores patamares da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2012. Em relação à extrema pobreza, houve uma redução de 0,9 ponto percentual, com queda de 4,4% para 3,5%. Já a quantidade de pessoas que se encaixam nos fatores de pobreza caiu de 27,3% para 23,1%. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (3), na Síntese de Indicadores Sociais 2024

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Ao todo, são 1,9 milhão de pessoas a menos extrema pobreza, enquanto 8,6 milhões de brasileiros saíram da condição de pobreza, que acontece quando a renda da família, em termos de dinheiro, não garante itens básicos para viver bem. O estudo leva em consideração os parâmetros do Banco Mundial, com cálculos pela Paridade do Poder de Compra (PPC).

Dessa forma, domicílios com renda inferior a 6,94 dólares por pessoa mensalmente eram considerados pobres no ano passado, enquanto aquelas pessoas que viviam abaixo de 2,18 dólares, eram tidas como extremamente pobres.

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Aumento da renda

Um dos fatores que pode ter contribuído para a redução no patamar de pobreza no Brasil é o aumento da renda média, conforme explica o IBGE. Segundo o instituto, o rendimento domiciliar per capita chegou a R$ 2.017 mensais em 2024. A título de comparação, o rendimento em 2012 era de R$ 1.697.

Entre a população 10% mais pobres, a renda cresceu 13,2% em um ano.

Índice de Gini

O Índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, também diminuiu no Brasil, tendo uma queda de 0,517 em 2023 para 0,504. O índice vai de 0 a 1, quando 0 representa uma renda igualitária, e 1 significa renda concentrada.

O pesquisador do IBGE, André Geraldo de Moraes Simões, afirma que a queda nos índices pode ser atribuída ao mercado de trabalho aquecido, já que “mais de 70% da renda domiciliar per capita vem do trabalho” e aos benefícios sociais. Isso porque sem esses programas sociais, como o Bolsa Família e o Auxílio Brasil, a população em extrema pobreza aumentaria de 3,5% para 10%, enquanto a em pobreza aumentaria de 23,1% para 28,7% em 2024.

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— Em 2019 e 2020, a redução da pobreza foi impulsionada pelos benefícios emergenciais, que mantiveram a renda das famílias. Quando esses auxílios foram reduzidos ou tiveram restrições de acesso em 2021, a pobreza subiu novamente, pois o mercado de trabalho ainda estava fragilizado — disse.

Grupos vulneráveis

Alguns grupos continuam sendo mais vulneráveis, como crianças e adolescentes de 0 a 14 anos, onde 39,7% estão abaixo da linha de pobreza. Pessoas pardas (29,8%) e pretas (25,8%) também estão entre os grupos mais vulneráveis, assim como entre mulheres (24%).

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Entre os idosos, a proporção é menor, sendo de 8,3%, com impacto da aposentadoria e de benefícios previdenciários.

Metade das pessoas do Nordeste em extrema pobreza

Cerca de 50,3% das pessoas que vivem na região Nordeste estão em extrema pobreza, enquanto 45,8% estão em situação de pobreza. No Norte, 35,9% da população vive abaixo da linha da pobreza.

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Já no Sul e Centro Oeste, as taxas de extrema pobreza são consideravelmente menores. No Sul, 1,5% da população se encontra nessa condição, enquanto 1,6% da população do Centro-Oeste está na extrema pobreza.

Pessoas que trabalham, mas que ainda são afetadas pela pobreza

Cerca de 11,9% dos trabalhadores estavam em domicílios pobre em 2024, sendo que 0,6% estava na extrema pobreza, o que representa cerca de 585 mil pessoas.

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O estudo do IBGE também aponta que os trabalhadores domésticos (8,7%) e os agricultores e trabalhadores rurais qualificados (6,6%) são os mais afetados.