Reportagem especial mergulha na relação secular entre botos e pescadores no Sul de SC

Pordução multimídia detalha a pesca colaborativa, os riscos que ameaçam a tradição e a busca por torná-la patrimônio cultural do Brasil

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Pesca colaborativa acontece na Lagoa Santo Antônio dos Anjos, em Laguna, no Sul do Estado, desde pelo menos 1905 (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

Foi em 1905 que o livro “Chorographia de Santa Catarina”, de Vieira da Rosa, registrou pela primeira vez um fenômeno singular na Lagoa Santo Antônio dos Anjos, em Laguna, no Sul do Estado. Quase 120 anos depois, a pesca colaborativa entre humanos e botos da espécie Tursiops truncatus não só persiste como se tornou um símbolo da cidade, um exemplo raro de cooperação interspecies que intriga pesquisadores e encanta expectadores.

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Passado mais de um século, esse patrimônio vivo agora busca um novo reconhecimento: o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O objetivo é garantir a preservação não só da atividade cultural, mas também dos próprios botos, que enfrentam ameaças como poluição, captura acidental e o aumento do tráfego de embarcações.

São laços que vão além do trabalho. Os pescadores dão nomes aos botos — como Natalino, Princesa ou Molha-Roupa — e os reconhecem pelas marcas nas nadadeiras dorsais. Desenvolvem afeto e uma relação de respeito que é repassada de geração em geração.

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— Se você estiver longe, o boto faz todo o gesto para tu ir lá. Se tu não for, ele pega o peixe e vem trazer para ti — descreve o pescador Ademir dos Santos, de 69 anos.

É sobre esta aliança única o especial multimídia O boto patrimônio. A produção multimídia viajou até Laguna para registrar o ritual da pesca e mostrar os desafios para a sobrevivência da prática, com a recente perda de botos experientes para doenças, e a jornada de pesquisadores para conseguir o registro nacional de patrimônio.

A prática, já reconhecida como patrimônio do Estado de SC em 2018, é semelhante à de Imbé e Tramandaí, no Rio Grande do Sul, levando o Iphan a unir os processos em um único projeto. A expectativa é que o Conselho Nacional do Patrimônio Cultural vote pelo registro até abril de 2025.

— Aqui no Sul do Brasil, há pelo menos um século de continuidade histórica. É algo que sobrevive, que prospera e encontra meios de continuar existindo e sendo praticado — destaca Caetano Sordi, pesquisador da UFSC e coordenador do projeto de instrução do registro.

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Ficha Técnica

Reportagem: Mariana Barcellos
Fotografia e Vídeos: Patrick Rodrigues
Design: Ciliane Pereira
Infografia: Ben Ami Scopinho
Edição de Vídeo: Alan Pedro
Edição: Luana Amorim

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