Sistema de esgoto é principal causa de poluição nas Dunas da Joaquina, em Florianópolis

Criado para ser provisório, sistema instalado no local causou danos negativos na vegetação, segundo estudo da UFSC

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Piscinas naturais também surgiram nas dunas da praia da Joaquina em Janeiro deste ano, por causa das chuvas (Foto Rafael Paz, Arquivo Pessoal)

Piscinas naturais também surgiram nas dunas da praia da Joaquina em Janeiro deste ano, por causa das chuvas (Foto: Rafael Paz, Arquivo Pessoal)

Duas tubulações paralelas com dezenas de metros estão despejando água nas dunas da praia da Joaquina, um dos principais pontos turísticos de Florianópolis. O sistema, que deveria ser provisório, existe há quatro anos e, segundo estudiosos, é o maior responsável pela eutrofização que acontece no local.

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O sistema de bombeamento foi instalado pela Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (CASAN) em junho de 2021 para evitar que novos rompimentos na barragem da companhia, semelhante ao que aconteceu em janeiro do mesmo ano, voltassem a ocorrer. Entretanto, o sistema também realiza o escoamento do excesso de efluentes de uma unidade de tratamento de esgoto ao lado.

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Porém, a instalação que seria provisória, criou uma lagoa artificial nas dunas, segundo um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Além disso, o lançamento dos efluentes causou danos negativos na vegetação do local.

— Os estudos estão mostrando que existe um processo de eutrofização em curso, ou seja, uma contaminação de toda a área com fertilizantes, nitrogênio e fósforo, derivados de matéria orgânica. Isso está comprometendo a capacidade que os lagos tinham de produzir e manter o oxigênio, que infelizmente, produz zonas mortas —  explicou o biólogo Paulo Horta.

O estudo realizado pelos biólogos da universidade concluiu, ainda, que a quantidade de efluentes e a grande presença das macrófitas causaram um aumento no nível de soterramento e diminuiu a quantidade de vegetação nativa na região.

Em nota, a CASAN informou que “o sistema de bombeamento é necessário para garantir a segurança da população e do funcionamento da Lagoa de Evapoinfiltração (lei) em períodos de chuvas intensas. Esse sistema precisa funcionar até que uma nova área possa receber o efluente tratado. A busca desse novo local está em estudo.”

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Já a Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (FLORAM) informou que “está acompanhando de perto a situação” e que “monitora constantemente os possíveis impactos ambientais para garantir a preservação do Parque Natural Municipal da Lagoa da Conceição”

No local não há medição do Instituto do Meio Ambiente (IMA) sobre a balneabilidade, mas os pesquisadores da universidade monitoram constantemente a qualidade da água e já identificaram a presença de coliformes fecais.

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Os pesquisadores pedem, ainda, a interrupção do lançamento de efluentes de esgoto na vegetação.

— Sem dúvida nenhuma a gente precisa parar de bombear água para um parque, é antipedagógico. É uma coisa que está de fato deteriorando toda a capacidade que a gente têm de dialogar com a comunidade sobre a importância daquele lugar —  relatou o biólogo

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