Uns defendem, outros querem tirá-la para sempre: blumenauenses opinam sobre fim das máscaras

Governo do Estado deve publicar no sábado (12) um decreto suspendendo a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais fechados

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Alfredo Lessa e Ilmgarht esperam ansiosos pelo fim da obrigatoriedade da máscara (Foto: Patrick Rodrigues)

No vaivém da Rua XV de Novembro, no Centro de Blumenau, as máscaras já não predominam, mas ainda se fazem presente mesmo sem exigência ao ar livre. A situação reflete bem a divisão de opiniões entre as pessoas sobre o momento ideal para dispensar o item também em ambientes fechados. Isso porque existe a expectativa de que sábado (12) o governo do Estado emita decreto tornando o uso facultativo, como adiantou a colunista Dagmara Spautz.

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Mas será o fim das máscaras no dia a dia?

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Para Alfredo Lessa, de 80 anos, a resposta é sim, pelo menos para ele. O idoso diz que nunca foi a favor da obrigatoriedade e só usa o item onde é expressamente exigido. Se conseguir entrar num comércio sem, o senhor diz que arrisca porque já tomou três doses da vacina contra a Covid-19. Ele conta isso à reportagem do Santa enquanto compra uma Trimania de Ilmgarht Ender, de 67 anos.

Nascida em Rio do Sul e ex-moradora de Indaial – duas cidades que liberaram por conta própria o uso facultativo da máscara contrariando regra estadual – a vendedora lamenta não estar em um dos municípios atualmente. Assim como o cliente, nunca fez questão de usar a máscara, mas mesmo assim usa até na rua – onde não é mais necessário desde novembro do ano passado. O motivo, segundo ela, é respeito pelo próximo.

Mesmo assim, diz que é chegada a hora de dispensar o uso e justifica:

— Liberou baile, liberou bar. Todo mundo fica sem nesses lugares. Então tira logo de uma vez.

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Mas tem quem discorde de Ilmgarht. Acácio Garcia, de 58 anos, estava sentando na Rua XV de Novembro quando a equipe de reportagem se aproximou e de imediato ele colocou a máscara. O morador conta não se sentir seguro ao ficar em locais com outras pessoas sem proteção e acredita não ter sido infectado pelo coronavírus até hoje por causa da máscara e do álcool gel. Ele não tem nos planos baixar a guarda mesmo que o governo autorize.

— Mesmo no ônibus eu vou continuar usando — afirma.

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Outro que não pensa em relaxar as medidas de cuidado é Paulo Roberto, 30. Ele sentiu na pele os efeitos da Covid-19, também enfrentou uma pneumonia, e diz que esse não é o momento ideal para tornar facultativo o uso da máscara. A fala dele ocorre um dia após a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmar uma nova variante que combina as cepas Ômicron e Delta.

— Não é o momento, precisa esperar até que cesse um pouco mais. Eu estou sempre com a máscara e vou avaliar quando tirar ou não — garante.

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É o momento de liberação total?

Mesmo sem aval do governo estadual, ao menos 19 cidades de Santa Catarina já dispensaram a obrigatoriedade do uso de máscara contra a Covid-19 em locais fechados. Destas, seis são do Vale do Itajaí. Blumenau segue o decreto do Estado e mantém a obrigatoriedade.

O infectologista José Amaral Elias vê com preocupação essa possível liberação. Na linha de frente do combate à pandemia no Hospital Oase, referência para casos de Covid-19 no Médio Vale do Itajaí, ele diz que a queda no número de casos graves da doença e o avanço da vacinação dão ao Estado um panorama favorável para tornar o uso de máscara facultativo.

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Mas o especialista lembra que o aparente cenário de calmaria já foi visto em outros momentos e subitamente o quadro piorou levando milhares de pessoas às unidades de saúde. Se mostra preocupado também com a baixa cobertura vacinal de crianças, que refletiu no aumento de internações pediátricas no início deste ano.

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— O que nos deixa preocupados é que tivemos um quadro quase semelhante a esse de agora vivido em dezembro, e em seguida teve a entrada da Ômicron que mudou tudo rapidamente. Eu esperaria um pouco mais, ainda tenho restrições quanto a liberar em ambientes fechados — afirma Elias.

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Outro aspecto a ser observado é o recente anúncio da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre uma nova variante que combina as cepas Ômicron e Delta. A primeira é considera mais transmissível. A segunda, mais agressiva. De acordo com a diretora da entidade, Maria Van Kerkhove, ainda não há evidências de que a Deltacron, como vem sendo chamada informalmente, seja mais grave do que a Delta ou a Ômicron separadamente.

Neste cenário de oscilação, segundo o médico, é possível que a comunidade precisa enfrentar momentos de liberação e de restrição, conforme a evolução da doença.

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