Após sofrer uma lesão cerebral e perder toda a movimentação do lado esquerdo do corpo, Julia Rimoli Bossoni, de 28 anos, entrou na Justiça contra o tradicional parque de diversões Hopi Hari, em São Paulo. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) analisa a situação e investiga a maior montanha russa de madeira da América Latina, que já foi palco de outros acidentes anteriores.
A jovem sofreu um traumatismo cranioencefálico, com convulsões e desmaio e uma hemorragia no cérebro, durante a corrida da Montezum. Ela foi encaminhada para o hospital e permaneceu 57 dias internada, onde foi constatada a perda de toda a movimentação da parte esquerda de seu corpo, sem sensações nos braço e perna.
Promoção VIP terminou no hospital
O caso aconteceu em abril, quando Júlia e seu companheiro, João Pero Bossoni, decidiram fazer um passeio diferente e passar o dia no Hopi Hari, no município de Vinhedo, no interior de SP.
O casal é de Londrina, no Paraná, e saiu cedo de casa para conseguir pegar um bom lugar na fila do parque. Além de serem um dos primeiros a chegar, os dois tiveram a sorte de ganhar uma promoção com passaporte VIP para visitar a uma das principais montanhas-russas do local, a Montezum.
De acordo com as informações divulgadas pelo Fantástico, da TV Globo, o casal pretendia começar o passeio pela montanha-russa e aproveitar outras atrações ao longo do dia. Entretanto, com o passe VIP, receberam a oportunidade de ir duas vezes no brinquedo, que costuma ter bastante fila de espera.
As câmeras de segurança do parque mostram Júlia e João entrando e saindo do carrinho da atração em ambas as vezes que participaram.

Na primeira vez que percorreram o trajeto, a diversão foi garantida e o casal saiu animado do brinquedo e ansioso para as demais atividades oferecidas no local. Mas o problema aconteceu de tarde, na segunda vez nos trilhos. Após aproveitar as outras atrações, eles decidiram encerrar o dia utilizando o passaporte VIP para ir uma segunda vez na Montezum.
O relato de João Pedro indica que Júlia desmaiou no meio do trajeto do brinquedo e que não havia o que fazer na hora para ajuda-la:
“Ela já estava inconsciente, já estava convulsionando e nesse momento você fica desesperado, não sabe o que fazer”, contou.
Quando o carrinho finalmente voltou à plataforma, a mulher estava desacordada e convulsionando. Foram seis minutos para que os funcionários do parque conseguissem acalmar a situação e transportar Júlia para fora da atração, com a ajuda de uma maca.
O casal foi enviado para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), da Santa Casa de Vinhedo, onde Júlia passou por operaçãoes médicas e ficou 57 dias internada.
Os exames e laudos médicos indicaram uma hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral, com rompimento dos vasos sanguíneos, perda interna de sangue e inchamento do cérebro. A avaliação final determinou que Júlia sofreu um traumatismo cranioencefálico (TCE), com perda de toda a parte esquerda do corpo, de memória e dificuldades na fala.
Maior montanha-russa de madeira da América Latina
A Montezum foi inaugurada em 1999, com cerca de 42 metros de altura, um quilômetro de extensão e velocidade de até 103 km/h. O passeio no brinquedo dura por volta de um minuto para terminar o percurso.
Por ser de madeira e realizar diversas curvas e Loopings, a atração costuma realizar movimentos bruscos e fortes, que fazem com que os passageiros se choquem com o banco e balancem dentro do carrinho. Mesmo com o cinto de segurança e todas as prevenções, a ideia do brinquedo é causar adrenalina e a sensação de “desencostar do chão”.
Entretanto, as altas velocidades e freadas rápidas já foram causas de alguns incidentes. Júlia não foi a primeira a sofrer trauma no brinquedo: Segundo o Fantástico, foram encontrados ao menos 40 registros feitos em uma plataforma de avaliação de consumidores nos últimos dois anos. As alegações são de ter sofrido lesões, dores no pescoço, no joelho e até costelas quebradas.
Em 2018, a professora Nathalia Assenjo Motta, deslocou duas vértebras cervicais, colocou 12 pinos e duas hastes e perdeu o movimento do pescoço. O motoboy Márcio também sofreu um acidente no brinquedo, em 2014, e ficou tetraplégico após o passeio.
Em nota, o Hopi Hari informou que a montanha-russa possui certificação internacional, emitida pelo grupo TÜV Nord, e realiza inspeções anuais, além de seguir a legislação nacional para parques de diversões.
Um parecer realizado em agosto de 2026 pelo MPSP, também descartou risco coletivo para a montanha-russa.
Caso está em análise na Justiça
Após cinco meses e sete cirurgias para recuperar o movimentos, a família de Júlia Bossoni realizou um pedido na Justiça para avaliação do caso e circunstâncias do acidente.
Nesta razão, o Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação e pediu uma perícia avaliativa da montanha-russa. A avaliação de toda a situação ainda está em procedimento.
O NSC Total entrou em contato com Júlia e sua família, mas não teve resposta até o momento de publicação desta reportagem.
*Sob Supervisão de Abinoan Santiago





