O dinamismo na contratação de trabalhadores com carteira assinada na economia brasileira perdeu intensidade no encerramento do terceiro trimestre. O balanço oficial do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, apurou um saldo de 121,3 mil postos formais em setembro. Os números mostram a menor geração de empregos formais desde 2020.
Foram realizados nesse período cerca de 2,21 milhões de admissões frente a 2,09 milhões de desligamentos, consolidando uma redução de 43,5% em comparação com o saldo de 214,6 mil vagas obtido em setembro de 2025.
Evolução temporal da série e balanço acumulado
A apuração de setembro marcou o saldo mensal mais reduzido para o período desde a implementação da nova metodologia do Caged em 2020, ficando abaixo dos patamares de setembro de 2020 (299,7 mil), 2021 (330,1 mil), 2022 (278,6 mil), 2023 (204,8 mil) e 2024 (252,3 mil).
No cômputo dos nove primeiros meses do ano, o saldo de empregos formais atingiu 1,25 milhão de postos, montante 27,9% menor do que o 1,73 milhão acumulado entre janeiro e setembro de 2025. Trata-se do ritmo de geração de vagas mais brando para o intervalo desde 2020, ano marcado pela perda líquida de 775 mil empregos em meio às restrições operacionais da pandemia.
Indicadores de estoque de mão de obra e rendimento médio
Apesar do menor saldo líquido mensal, o total de trabalhadores com carteira assinada no país prosseguiu em alta, somando 48,36 milhões de vínculos em setembro. O volume supera o nível registrado em agosto (48,24 milhões) e se mantém acima do verificado em setembro de 2025 (47,57 milhões).
No tocante aos vencimentos de contratação, o salário médio real de admissão registrou R$ 2.429,41 em setembro, apontando discreta variação ante o valor de agosto (R$ 2.430,51) e preservando ganho real em relação aos R$ 2.384,50 vigentes em setembro do ano passado.
Metodologia das estatísticas formais e panorama da PNAD
O Ministério do Trabalho faz a ressalva de que o Caged monitora especificamente o mercado formal regido pela CLT, sem englobar o trabalho autônomo e informal. Por este motivo, seus resultados não são diretamente comparáveis com a taxa de desemprego apurada pelo IBGE através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE.
No levantamento do instituto de estatística, a taxa de desocupação geral do país situou-se em 5,2% no trimestre finalizado em setembro, menor índice apurado para essa época do ano desde 2012.
*Com edição de Nicoly Souza









