O fim da escala 6×1 altera as regras trabalhistas para 14,8 milhões de profissionais com carteira assinada no Brasil. A estimativa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) é feita com base em dados de dezembro do último ano. O contingente afetado pela medida equivale a 29,9% dos 49,5 milhões de empregos formais do país. Significa dizer que praticamente 3 em cada 10 profissionais contratados passam a ter direito à jornada na escala 5×2, com dois dias de descanso semanal remunerado e sem redução salarial.
Apesar do grande impacto nos contratos formais, a rotina prática dentro das empresas revela um cenário surpreendente. A transição para a nova jornada de trabalho pode gerar um efeito real bem menor no cotidiano de muitos trabalhadores do que os papéis indicam.
Quando começa o fim da escala 6×1 e a transição para a nova jornada
A transição para a nova escala 5×2 tem início exatos 60 dias após a promulgação e publicação da emenda constitucional. Em 16 de outubro, portanto, começou a contar o prazo inicial para alterar a jornada máxima de trabalho, com redução de 44 para 42 horas semanais.
A segunda e última etapa do cronograma entra em vigor 12 meses após a promulgação, consolidando a redução da jornada para 40 horas semanais como o teto definitivo do país, o que irá assegurar dois dias de descanso remunerado sem impacto nos salários.

Turismo e serviços lideram trabalhadores atingidos
As atividades ligadas ao turismo e hospitalidade lideram com folga a dependência da escala 6×1 nos registros formais de emprego. No transporte aéreo, 53,2% dos empregados formais cumpriam a rotina de seis dias de trabalho em dezembro de 2025, enquanto no setor de alojamento o índice alcançava 52%. Em contrapartida, áreas como a distribuição de eletricidade e gás registravam apenas 10% e 11,8% respectivamente dos empregos formais sob esse regime.
O porte do negócio também dita o tamanho da readequação. Nas microempresas, 34,5% dos vínculos atuavam na escala 6×1, percentual que chegava a 36,2% nos pequenos negócios. Já nas médias e grandes empresas, 32,9% dos vínculos eram mantidos sob a escala 6×1, concentrando a maior parte absoluta dos empregados formais afetados, com 7,9 milhões de trabalhadores.
O contraste entre a lei e a rotina real
O universo de 103,5 milhões de trabalhadores ocupados no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao período até agosto deste ano, impõe limites claros ao alcance da medida, já que os 14,8 milhões de profissionais na escala 6×1 representam exclusivamente empregos com carteira assinada. Trabalhadores informais, autônomos, empregadores e servidores públicos não entram nesse cálculo de transição imediata.
Além disso, cruzamentos entre contratos de trabalho e horários efetivamente cumpridos mostram um descompasso estrutural:
- Jornada contratada: 73,8% dos empregos com carteira assinada previam contratos entre 41 e 44 horas semanais, conforme dados da Rais, do MTE.
- Jornada real praticada: apenas 35,8% dos trabalhadores cumpriam efetivamente esse intervalo de horas no primeiro trimestre de 2026, segundo o IBGE.
- Carga reduzida já existente: cerca de 39% dos profissionais com carteira já cumpriam rotinas reais entre 31 e 40 horas semanais no mesmo período.
Análises do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, à Folha de S. Paulo, indicam que os efeitos econômicos e operacionais do fim da escala 6×1 serão “complexos e heterogêneos”. Algumas atividades específicas ainda podem passar por readequações contratuais ou acordos com regimes diferenciados, o que ajusta a transição às particularidades de cada segmento produtivo.
FOTOS: O fim da escala 6×1 e os impactos na rotina de trabalhadores e do comércio
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*Com edição de Luiz Daudt Junior.















