Como redução de tarifas sobre o café nos EUA pode dar espaço para mercado brasileiro

Estados Unidos importam mais de 99% de seu café e Brasil representa 30,7% das importações do produto

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EUA são o maior consumidor mundial de café (Foto: Banco de imagem)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que pretende reduzir as tarifas sobre importações de café. A fala, feita nesta terça-feira (11) em entrevista à Fox News, não cita o Brasil diretamente, mas acontece em meio às negociações entre os dois países.

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Interlocutores do governo e empresários veem de forma positiva a possível redução, que faz parte de uma medida da Casa Branca para conter a inflação nos Estados Unidos, reduzindo o custo de importações de produtos de consumo popular. O Brasil pediu que a alíquota extra de 40% sobre os produtos brasileiros fosse revertida em outubro.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, devem ter um novo encontro nessa semana, no Canadá, às margens de uma reunião ministerial do G7.

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No mês de agosto, os preços do café no varejo subiram quase 21% em comparação com julho, sendo que as tarifas de Trump tiveram influência nesse aumento. O Brasil teve uma das maiores tarifas aplicadas em julho, enquanto outros grandes produtores de café, como o Vietnã e Colômbia, receberam tarifas de 20% e 10%, respectivamente.

De acordo com a Associação Nacional do Café, os Estados Unidos importam mais de 99% de seu café. O Brasil representa 30,7% das importações americanas de café com base no peso líquido, de acordo com o banco de dados UN Comtrade, seguido por Colômbia (18,3%) e Vietnã (6,6%).

Durante entrevista à Foz News, Trump disse que a economia americana possui problemas pontuais e citou a possibilidade de reduzir taxas.

— Estamos indo fenomenalmente bem, esta é a melhor economia que já tivemos. A única coisa (único problema) é a carne. A carne está um pouco alta porque os pecuaristas (americanos) estão indo bem (com as restrições à importação). Café, nós vamos reduzir algumas tarifas e teremos algum café vindo (sendo importado) — declarou.

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Impactos para o Brasil

O diretor executivo da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Vinicius Estrela, vê que se a redução se confirmar, o Brasil pode ser beneficiado. Ele afirma que há condições favoráveis para uma retomada, já que “outras origens estão mais caras do que o Brasil”, o que abre margem para uma recuperação das exportações.

— Os preços internacionais estão em alta, os estoques americanos estão baixos e há indisponibilidade de café em outras origens no volume necessário. O Brasil está pronto para responder rapidamente caso o alívio tarifário se confirme. O café brasileiro tem qualidade e escala para atender o mercado americano, que falta é um ambiente comercial previsível — explica.

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Ao longo de 2024, cerca de um terço do total de café consumido pelos EUA veio do Brasil. A partir da implementação do tarifaço, as exportações para o país caíram 53% em setembro de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024, totalizando 333 mil sacas.

Os EUA são o maior consumidor mundial de café, e compram em torno de 24 milhões de sacas por ano. Em 2024, o Brasil, enviou 8,1 milhões de sacas ao mercado americano, o que gerou uma receita próxima de US$ 2 bilhões.

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*Com informações de CNN Brasil e O Globo