Ferrovia histórica no interior do Brasil conecta 14 cidades e já transportou 78 milhões de toneladas de carvão

Com 164 quilômetros de extensão, Ferrovia Tereza Cristina começou a ser construída no século XIX e mantém o transporte de cargas no Sul catarinense

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Ferrovia Tereza Cristina foi construída para transportar carvão mineral das áreas de mineração até os portos do Sul catarinense (Foto: FTC, Reprodução)

A necessidade de transportar carvão mineral impulsionou a construção de uma ferrovia no Sul de Santa Catarina há mais de 140 anos. Criada para ligar as áreas de mineração aos portos da região, a Ferrovia Tereza Cristina atravessou diferentes períodos da história e hoje conecta 14 municípios, com atuação no transporte de carvão e de cargas conteinerizadas.

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A origem do projeto remonta ao século XIX, quando a descoberta de jazidas de carvão despertou o interesse pela exploração mineral. Entre os relatos históricos sobre o assunto, está o contado pelo padre João Leonir Dall’Alba, que situa um episódio por volta de 1830, nas proximidades de Lauro Müller.

Segundo a narrativa, um grupo de tropeiros acampado na região teria utilizado algumas pedras para apoiar panelas. Ao acenderem uma fogueira, perceberam que as próprias pedras também queimavam e liberavam um forte cheiro de enxofre. As amostras foram recolhidas e encaminhadas ao Rio de Janeiro.

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A possibilidade de explorar o carvão despertou o interesse de pesquisadores e investidores, mas a falta de transporte dificultava o aproveitamento econômico das jazidas. Em 1874, o Segundo Visconde de Barbacena, Felisberto de Caldeiras Brand e Pont, obteve autorização do Império para construir uma ferrovia destinada a levar o minério até os portos de Imbituba e Laguna.

O empreendimento envolveu duas companhias britânicas: a The Tubarão Coal Mining Company, voltada à exploração do carvão, e a The Donna Thereza Christina Railway Company Limited, responsável pelo projeto ferroviário. O nome escolhido para a ferrovia homenageou a imperatriz Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II.

Construção da ferrovia no Sul de SC

As obras da Estrada de Ferro Donna Thereza Christina ocorreram entre 1880 e 1884. O projeto original previa uma linha entre Imbituba e as áreas de mineração, além de um ramal até Laguna.

A construção exigiu a abertura de caminhos, a execução de cortes e aterros e a instalação de trilhos, pontes, pontilhões e bueiros. Apesar da participação do capital e da engenharia ingleses, a mão de obra contratada incluiu imigrantes italianos que viviam na região.

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O empreendimento, porém, enfrentou dificuldades financeiras e operacionais. A companhia responsável pela mineração demorou a iniciar as atividades e realizou uma única exportação de carvão para a Argentina, com cerca de duas mil toneladas. Segundo o relato histórico reunido pela concessionária, o navio permaneceu por dois meses no porto de Imbituba à espera da carga. Ao fim de 1887, os trabalhos da mineradora estavam paralisados.

Mesmo com os obstáculos enfrentados pela atividade mineradora, a ferrovia permaneceu como parte da infraestrutura de transporte do Sul catarinense.

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Ferrovia de SC conecta 14 municípios

Atualmente, a Ferrovia Tereza Cristina tem 164 quilômetros de extensão e passa por 14 municípios: Imbituba, Laguna, Pescaria Brava, Capivari de Baixo, Tubarão, Sangão, Jaguaruna, Içara, Criciúma, Siderópolis, Morro da Fumaça, Cocal do Sul, Urussanga e Forquilhinha.

Uma nova etapa da história começou em 1997, com a criação da Ferrovia Tereza Cristina S.A., responsável pela concessão atual. A operação manteve o transporte de carvão mineral para o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, e ampliou a atuação com cargas conteinerizadas.

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Segundo dados divulgados pela concessionária, mais de 78,1 milhões de toneladas de carvão mineral foram transportadas desde o início da concessão. No mesmo período, a operação também movimentou 4,96 milhões de toneladas de cargas conteinerizadas, conectando o Terminal Intermodal Sul ao Porto de Imbituba.

Os investimentos em segurança, modernização da malha e eficiência operacional somam R$ 88,7 milhões, conforme a empresa. A concessionária também informa que recolheu mais de R$ 387,4 milhões ao Tesouro Nacional em outorgas, arrendamentos e tributos.

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Além da operação logística, a ferrovia mantém programas socioambientais e ações educativas nas comunidades próximas aos trilhos. A empresa também possui certificações internacionais nas áreas de gestão da qualidade, meio ambiente e saúde e segurança ocupacional.

Veja imagens da ferrovia