A história da G10 Transportes começou de um jeito que dificilmente indicaria o tamanho que o negócio alcançaria décadas depois: com três caminhões pequenos e dois irmãos adolescentes diante de um desafio deixado pelo pai.
Em 1986, Claudio Adamuccio tinha 19 anos, e Valdecir, 16. O pai dos dois queria dedicar mais tempo à igreja e decidiu entregar aos filhos os veículos que tinha.
“Ele disse: ‘Gostaria de lançar um desafio. Eu passo para vocês esses três caminhões e vocês têm o compromisso de cuidar da família, porque quero me dedicar à Igreja’”, contou Claudio ao podcast Do Zero ao Topo, apresentado por Mariana Amaro.
Quase quatro décadas depois, aquela operação se transformou na G10 Transportes, formada por cinco empresas e com mais de 2.200 caminhões.
Antes da gigante, havia apenas três caminhões
A trajetória começou no Mato Grosso do Sul, quando Claudio e Valdecir ainda trabalhavam como pessoas físicas e de maneira informal. No mesmo ano de 1986, os irmãos fundaram a Transpanorama, empresa que seria a base de tudo o que veio depois.
Nos primeiros anos, os negócios iam além do transporte. A família atuava também com serraria, exportação de madeira e fornecimento de carvão para siderurgia. A diversificação ampliava as fontes de receita e, ao mesmo tempo, a complexidade da operação.
Em 1996, a empresa se mudou para Maringá, no Paraná, cidade onde está a base do grupo até hoje.
A recusa do banco que mudou o rumo do negócio
O ponto de virada veio em 1997, e não partiu de uma decisão interna. O HSBC comunicou que não manteria como clientes empresas ligadas a carvão ou madeira.
Diante disso, os irmãos encerraram essas atividades e concentraram tudo no transporte de cargas. A escolha, forçada por um terceiro, definiu o negócio que existe hoje.
O momento em que os concorrentes viraram aliados
A expansão trouxe outro desafio: como uma empresa que havia começado com três caminhões ganharia força para competir em um mercado cada vez mais complexo?
Em 1998 e 1999, Claudio passou a viajar com frequência a Brasília para acompanhar discussões sobre a regulamentação de novos tipos de implementos usados no transporte. Foi nessas viagens que percebeu o quanto empresas pequenas tinham pouca força para defender os próprios interesses isoladamente.
“Vimos a necessidade de fazer o inimaginável: se juntar com concorrentes diretos para juntar força”, explicou.
Como nasceu o Grupo dos Dez
Em 2000, dez transportadoras de Maringá, que até então disputavam os mesmos clientes, decidiram se unir. Daí veio o nome da Associação Grupo dos Dez, estrutura que depois se transformaria na G10 Transportes. A Transpanorama entrou na associação com 27 caminhões, e o conjunto somava pouco mais de 120.
A lógica era ganhar escala sem que cada empresa precisasse abandonar a própria identidade. As transportadoras passaram a fazer compras conjuntas e a oferecer uma estrutura maior aos clientes.
“Começamos a nos reunir para fazer compras juntos e oferecer ao cliente uma empresa mais estruturada, com mais capacidade”, afirmou Adamuccio.
A partir de 2007, o número de empresas do grupo caiu de dez para cinco.
De 120 caminhões a mais de 2.200
A estrutura formada pelas cinco companhias seguiu crescendo e chegou a mais de 2.200 conjuntos. Atualmente, o grupo percorre cerca de 120 milhões de quilômetros por ano.
Para Claudio, a dimensão da operação está ligada às características do agronegócio brasileiro, que movimenta grandes volumes de grãos por distâncias muito longas.
“Como no mundo só o Brasil transporta grãos em distâncias continentais com esse volume, faz-nos imaginar que não há nenhuma outra transportadora rodoviária de cargas tão grande quanto a G10 em grãos”, afirmou.
A avaliação é do próprio executivo, e não há ranking independente citado na entrevista que confirme a posição.
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