Dólar sobe a R$ 5,4520, maior valor em cinco meses, e Bolsa cai 2,08%

Investidores voltaram suas atenções ao longo desta terça-feira (2) às falas do novo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que intensificaram preocupações de que decisões políticas se sobreponham à necessidade de equilíbrio das contas públicas

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Dólar está cotado a R$ 5,45 (Foto: Nikolay Frolochkin / Pixabay )

 Dólar e juros engataram novas altas na segundo sessão deste ano, enquanto o mercado de ações apresentou forte queda, em mais um dia de reações negativas às ações iniciais do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Investidores voltaram suas atenções ao longo desta terça-feira (2) às falas do novo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que intensificaram preocupações de que decisões políticas se sobreponham à necessidade de equilíbrio das contas públicas.

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Houve piora dos indicadores, porém, no final da tarde, após o ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), ter dito que quer criar uma comissão para revisar a reforma da Previdência aprovada no governo de Jair Bolsonaro (PL).

Temores no Exterior quanto à desaceleração da economia global também contribuíam com a aversão aos investimentos de risco, prejudicando ainda mais os ativos brasileiros, principalmente no setor de exploração e distribuição de petróleo.

A moeda americana fechou em alta de 1,77%, cotada a R$ 5,4520 na venda, maior valor desde o final de julho. O Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, recuou 2,08%, aos 104.165 pontos.

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Os juros futuros saltaram de forma generalizada. A taxa DI (Depósitos Interbancários) para 2024, por exemplo, passou de 13,53% para 13,79% ao ano. Os contratos com vencimento em 2025 avançaram de 12,91% ao 13,30%. Negociada entre bancos, a taxa de juros DI serve de referência para o setor de crédito.

Piter Carvalho, chefe de mesa da Valor Investimentos, afirma que as declarações de Lupi sobre a revisão da reforma da Previdência pegaram “investidores locais já sem paciência, que já são contrários ao governo petistas e às mudanças nessas regras”.

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— A reforma da Previdência demorou anos e, agora, o mercado fica com a incerteza se pode mudar da noite para o dia — completou Carvalho.

Antes da declaração de Lupi ter piorado o humor do mercado, os indicadores já apresentavam forte reação a afirmações feitas por Haddad no início do dia.

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O ministro da Fazenda afirmou nesta terça que apresentará ao presidente Lula um plano de voo com ações de curto, médio e longo prazo para a agenda econômica da nova gestão.

— Vou apresentar um conjunto enorme de ações para ele, de decisões que ele vai ter de tomar, uma a uma — disse Haddad

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Haddad também minimizou as reações do mercado financeiro na véspera.

— As pessoas estão se apropriando dos números e do que aconteceu no Brasil em 2022. Estava um clima de que economia estava no rumo certo e esse clima está se desfazendo pela apresentação dos números do enorme rombo eleitoral deixado pelo Bolsonaro — disse Haddad.

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Analistas de mercado relatam que há desconfiança sobre a autonomia do ministro e até que ponto as decisões econômicas serão influenciadas pela setor político do governo.

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— A incerteza [sobre a política] fiscal vem se concretizando. Hoje tivemos o discurso do ministro da Fazenda reconhecendo que a instância política será responsável por dar a última palavra, o que trouxe uma reação bem ruim para o mercado — comentou Luiz Souza, assessor de renda variável da SVN Investimentos.

Na segunda-feira (2), o mercado financeiro já havia demonstrado descontentamento com o discurso de posse e as primeiras ações do presidente Lula. A leitura feita por analistas é de que há sinais de que o governo será mais intervencionista na economia do que se esperava, com consistente uso de empresas públicas.

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As expectativas também pioraram quanto ao controle dos gastos públicos, sentimento que ganhou força após o anúncio da manutenção da desoneração por dois meses para gasolina e etanol, e por um ano para diesel, biodiesel e gás de cozinha.

Durante a posse, Lula chamou o teto de gastos de “estupidez”, e disse que ele será revogado. A medida já era prevista pela PEC da Gastança, que elevou o teto e permitiu gastos fora dele, mas estabeleceu que o Executivo deve apresentar uma nova regra para as contas públicas para substituir o atual.

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— O discurso de Lula realmente não agradou, mas não trouxe novidades. Acho que o mercado espera que, em algum momento, ele comece a falar como quem governa, em vez de falar como se ainda estivesse em campanha — comentou Tomás Awad, sócio-fundador da 3R Investimentos.

No exterior, os principais mercados apresentaram ligeira queda após o feriado prolongado de Ano-Novo. Em Nova York, o índice parâmetro da Bolsa, o S&P 500, cedeu 0,40%. Os indicadores Dow Jones e Nasdaq caíram 0,03% e 0,76%, respectivamente.

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No mercado de petróleo, o barril do Brent era negociado no final da tarde com queda de 4,13%, cotado a US$ 82,36 (R$ 443). A matéria-prima é referência para os preços praticados pela Petrobras, cujas ações mais negociadas na Bolsa brasileira recuaram 2,53%.

Analistas consultados pela agência Bloomberg atribuíam a aversão aos investimentos de risco ao temor de uma recessão global, sobretudo diante do crescimento das preocupações de que o aumento dos casos de Covid na China resulte em novo fechamento de atividades econômicas e quebra nas cadeias de distribuição.

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Apesar do exterior negativo, é incerteza quanto à economia local o principal motivo para as desvalorizações do real e do Ibovespa, segundo Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura.

— Está ficando claro que o governo não tem um plano fiscal e que a ala política está empurrando mais estímulos fiscais, a exemplo da desoneração dos combustíveis — disse Borsoi.

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*Reportagem de Clayton Castelani