A produção de arroz no Sul de Santa Catarina pode cair entre 8% e 9% na safra 2026/2027, que está em fase de plantio. Nas regiões de Tubarão, Criciúma e Araranguá, a preocupação é com o excesso de chuva associado ao El Niño, que pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras e reduzir a produtividade.
Para todo o Estado, a estimativa apresentada pelo Jornal do Almoço é de uma safra cerca de 6% menor que a anterior, quando foram colhidas aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de arroz. Mais de 5 mil famílias catarinenses trabalham no cultivo do grão.
Os efeitos da chuva já aparecem nas áreas plantadas. O produtor Felipe Pereira, que espera colher em fevereiro do próximo ano, relata que as enchentes atingiram a lavoura nas primeiras semanas da nova safra.
“A chuva é bem preocupante, porque, como a gente teve enchentes, ela acaba levando o arroz, levando as sementes, os nutrientes que a gente coloca na terra e também atrasa outras aplicações que a gente vai fazer”, afirmou.
Excesso de chuva dificulta cuidados com o arroz
Além de carregar sementes e nutrientes, a chuva dificulta a aplicação de herbicidas e fungicidas, usados no controle de plantas daninhas e doenças. Como as lavouras estão em diferentes fases de cultivo, os impactos podem variar entre os produtores.
A falta de sol é outra preocupação. Algumas etapas do desenvolvimento do arroz dependem de boa incidência solar. Com muitos dias chuvosos, a aplicação de defensivos e fertilizantes também fica comprometida.
Segundo Felipe, os atrasos nesses cuidados fazem com que a planta não se desenvolva como deveria. Por isso, as próximas semanas de cultivo precisam de períodos de tempo firme.
Produtores combinam variedades para reduzir perdas
Uma das estratégias adotadas para amenizar os efeitos do clima é o plantio de duas variedades de arroz na mesma área. Na lavoura de Felipe, uma delas foi escolhida pela resistência ao vento e a outra pela produtividade.
“Colocamos duas variedades, uma que é mais resistente ao vento e a outra é mais produtiva. Então, a gente espera que uma ajude a outra nessa questão de vento, granizo”, explica.
Mesmo com essas medidas, a expectativa apresentada na reportagem é de redução na safra. O histórico de anos com El Niño reforça a preocupação, especialmente no Sul catarinense, onde a concentração de chuvas tende a provocar perdas maiores.
Preço de venda pode ajudar a compensar prejuízos
Diante da previsão de uma colheita menor, os produtores esperam preços de venda mais altos no próximo ano para compensar parte dos prejuízos. Essa possibilidade também é considerada por empresas de beneficiamento de arroz.
A avaliação apresentada na reportagem é de que a redução não deve provocar falta do produto, mas pode diminuir o excedente que pressiona os preços para baixo. Para o setor, o equilíbrio entre produção e consumo é necessário para evitar oscilações que desestimulem a cadeia produtiva.
*Com informações da NSC TV
