El Niño histórico impulsiona chuva em SC e 2026 pode ter surpresas no tempo

Chuva acima da média, temporais e gangorra na temperatura devem marcar a primavera deste ano, que sofre influencia de um El Niño de intensidade muito forte

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Temporais com raios e granizos devem ser registrados em SC nas próximas semanas (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

A região onde o El Niño é monitorado atingiu a maior temperatura da história, o que significa o fortalecimento do fenômeno e, por consequência, a probabilidade de mais chuva para Santa Catarina ao longo da primavera. No combo, porém, há indicativo de que um importante fator deixará de impulsionar os efeitos desse aquecimento, ainda que os modelos já sinalizem precipitação acima da média especialmente no próximo bimestre.

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A avaliação foi feita nesta terça-feira (28) pelo Fórum Climático, grupo formado por meteorologistas de diferentes instituições, entre elas a Defesa Civil e Epagri/Ciram, que se reúne mensalmente para entender como deve ser o comportamento do clima no trimestre. A reunião serviu também para que os dois órgãos passassem a tratar o El Niño como de intensidade muito forte.

De modo geral, outubro, novembro e dezembro devem ser meses com chuva acima da média para o período e temperatura dentro do esperado. Essa condição aumenta a probabilidade de impactos relacionados a temporais com vendaval e granizo, além das ocorrências relacionadas aos altos volumes de chuva, como enxurradas, inundações e deslizamentos, alerta a Defesa Civil.

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Por conta do tempo fechado, fortes veranicos não são esperados, com possibilidade, inclusive, de “inverno fora de época” na Serra, ainda que de curta duração.

Em relação às temperaturas, os meses de outubro e novembro devem apresentar um padrão comum para esta época, com valores dentro da média climatológica. Nesses meses, com os dias de tempo fechado, ocorre pouca variação de temperatura, assim as tardes não devem ser de muito calor.

A partir de dezembro, com a aproximação do verão, a chuva continua acima da média, mas os temporais de verão, que ocorrem de forma mais isolada, passam a ser mais frequentes. Com isso, as temperaturas também se elevam em relação aos meses anteriores.

Combo climático

Até meados de outubro, o El Niño deve encontrar ambiente perfeito para favorecer a formação de sistemas que trazem chuva. Depois, a Oscilação Madden-Julian, um importante “ingrediente” na receita de tempo fechado para o Sul do Brasil, deve entrar numa fase de inibição de precipitação. Ou seja, deixará de impulsionar os efeitos do El Niño.

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Isso não significa que vai parar de chover em Santa Catarina nas últimas semanas de outubro, mas é um ponto importante a se considerar, já que quando oscilação está em outras fases, o combo tende a ficar mais preocupante — na catástrofe do Rio Grande do Sul em 2024, por exemplo, a Madden-Julian favoreceu a atuação do El Niño.

Ainda assim, outros fatores e oscilações estão tendendo para a formação de chuva, especialmente nas próximas duas semanas.

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O El Niño em 10 passos

Super El Niño

Desde que o monitoramento é feito no Oceano Pacífico, em 1950, a temperatura nunca havia chegado ao patamar em que está, mostram dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Nooa). Já são pouco mais de 3ºC acima da média, o que significa um El Niño muito forte. O pico é esperado entre outubro e novembro, quando as anomalias podem atingir 3,5ºC. Pelas projeções, o El Niño deve se manter ao menos até o final do outono de 2027.

Na média, a anomalia é de 2,2°C, o que também ultrapassa o limiar de 2 °C utilizado para caracterizar um evento de intensidade muito forte.

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As intensidades do El Niño

Fraco: 0,5°C a 1,0°C acima da média
Moderado: 1,0°C a 1,5°C acima da média
Forte: 1,5°C a 2,0°C acima da média
Muito forte: acima de 2,0°C acima da média

O que é o El Niño?

De forma simplificada, El Niño é o nome dado ao aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, em um trecho perto do Peru. O vapor sobe para a atmosfera e, para além disso, há uma mudança nos padrões de pressão, ventos e sistema climático sazonal. Ou seja, a circulação atmosférica é alterada e o impacto é global (leia mais abaixo).

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O que esperar para Santa Catarina?

Com o super El Niño, os impactos podem ser maiores, como citou o Nooa, mas não necessariamente em todas as regiões afetadas. Por isso, é preciso monitorar a situação continuamente e analisar outros fatores que também influenciam no tempo.

Em Santa Catarina, assim como em todo o Sul do Brasil, sabe-se que o El Niño favorece volumes de chuva acima da média. Em um estudo inédito, a cientista Alice Grimm mostrou o mês em que os efeitos do fenômeno historicamente são mais intensos para Santa Catarina: novembro.

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  • Um El Niño nunca é igual ao outro, mas ele historicamente intensifica as chuvas na primavera em Santa Catarina;
  • Há uma perceptível “piora” durante outubro e novembro para o Sul do Brasil;
  • Para se ter uma ideia, em meses de novembro com El Niño as chances são 6,3 vezes maior de eventos extremos, contra 1,2 em períodos de La Niña;
  • Os extremos de chuva podem se acentuar e/ou os dias chuvosos durarem mais tempo que o normal.

Outro ponto reforçado pela pesquisadora é que, para que haja um grande desastre, não basta o El Niño. Há outras oscilações climáticas que precisam estar alinhadas, também favorecendo a formação de nuvens carregadas, para que ocorra o pior — tal como no Rio Grande do Sul em 2024. É o que a ciência chama de “sobreposição de efeitos”, algo que precisa ser monitorado constantemente e que só pode ser previsto com uma antecedência menor. Por isso, este é um momento de preparação e acompanhamento.

Super El Niño é incomum, mostram dados históricos

Oficialmente não existe a classificação de “super El Niño”, mas o termo é usado popularmente quando o aumento da temperatura do oceano ultrapassa os 2°C acima da média, patamar considerado elevado e pouco comum, explica o meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Caio Guerra.

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Para se ter uma ideia, desde 1950, dos 25 episódios de El Niño, cinco tiveram registros acima dos 2ºC, mostram dados da Noaa. O que o levantamento também indica é uma diminuição no intervalo de El Niños
de forte intensidade.

Entre a metade do século passado e meados do atual, foram mais de 10 anos entre um “super El Niño” e outro. Na história recente, esse tempo caiu para oito anos.

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A diferença entre La Niña e El Niño

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água em um trecho do Oceano Pacífico perto do Peru, fazendo ela evaporar mais rápido. O ar quente sobe para a atmosfera, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas.

Com isso, no meio do Pacífico chove mais, afetando a região Sul do Brasil, pois a circulação dos ventos em grande escala, causada pelo El Niño, também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção norte-sul e essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país. Logo, elas ficam concentradas por mais tempo na região Sul.

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O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Os efeitos do La Niña para Santa Catarina são o oposto do outro fenômeno, já que as chuvas caem em menor volume no Estado.