O governo federal anunciou um pacote de R$ 1,3 bilhão para enfrentar possíveis efeitos do El Niño, fenômeno climático que consiste no aquecimento acima da média nas águas do Oceano Pacífico e pode aumentar a frequência de eventos climáticos extremos no Brasil. O planejamento de ações de prevenção e resposta foi anunciado nesta quarta-feira (29).
A maior parte dos recursos, R$ 998 milhões, é destinada a ações na área de abastecimento de alimentos. Uma estratégia de adquirir 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz para compor um estoque público deve consumir a maior parte deste valor anunciado, R$ 850 milhões.
Além disso, também há previsão de R$ 65 milhões na compra e distribuição de 350 mil cestas de alimentos a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.
Entenda o El Niño em 10 passos
Outras duas áreas que também tiveram espaço no pacote bilionário para enfrentamento do El Niño foram saúde, que deve receber R$ 45 milhões para centros de informação em saúde e clima e para a Força Nacional do SUS, e o monitoramento do nível dos rios, que responderá por R$ 25 milhões de investimentos.
A outra parcela do pacote anunciado pelo governo federal irá para a fiscalização ambiental e as ações de prevenção e combate a incêndios florestais, problema que também pode se agravar no decorrer da influência do El Niño em regiões como o Norte do país. No total, serão R$ 337 milhões destinados a essas ações.
O combate a incêndios florestais deve contar com postos de comando no Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Tocantins. A operação terá veículos especializados, estruturas operacionais, helicópteros, aeronaves para lançamento de água e aviões destinados ao transporte de equipes, abastecimento e resgate.
As medidas previstas até o momento e incluídas no pacote anunciado fazem parte de um planejamento baseado nas informações de órgãos de monitoramento climático e hidrológico. O acompanhamento é atualizado continuamente, conforme a evolução dos cenários observados, para orientar a adoção das medidas previstas em cada região do país. O planejamento é elaborado por seis instituições, incluindo Defesa Civil Nacional e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), além de estados e municípios brasileiros.
Impactos do El Niño
Atualmente, as chances de o El Niño atingir a categoria “super” em 2026 são de 81%. A atualização das projeções, que é feita mensalmente pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Nooa), dos Estados Unidos, uma das principais instituições do mundo no monitoramento do fenômeno, reforçou recentemente que este pode ser um dos maiores El Niño da história. O pico, por enquanto, é esperado entre outubro e dezembro. O El Niño deve continuar em atuação ao menos até o outono de 2027.
O El Niño nada mais é do que o nome dado ao aquecimento das águas superficiais de um trecho do Oceano Pacífico, perto do Peru. Oficialmente não existe a classificação de “super El Niño”, mas o termo é usado popularmente quando o aumento da temperatura do oceano ultrapassa os 2°C acima da média, patamar considerado elevado e pouco comum, explica o meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Caio Guerra.
Para se ter uma ideia, desde 1950, dos 25 episódios de El Niño, cinco tiveram registros acima dos 2ºC, mostram dados da Noaa. O que o levantamento também indica é uma diminuição no intervalo de El Niños de forte intensidade.









