Criada em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, a Next Fit saiu de uma operação voltada inicialmente a academias da região para alcançar quase 18 mil negócios fitness atendidos no país. Sete anos após o início do projeto, a empresa é avaliada em aproximadamente R$ 200 milhões e se prepara para uma nova etapa de crescimento, desta vez com foco também no mercado internacional.
A empresa, especializada em software de gestão para academias, estúdios e outros negócios esportivos, reúne atualmente mais de 250 colaboradores e tem mais de 2 milhões de alunos ativos utilizando a plataforma. A projeção é dobrar de tamanho até 2028, com a América Latina entre os mercados considerados para a expansão.
O cenário é bastante diferente daquele enfrentado em 2020. Com pouco mais de um ano de operação e prestes a acelerar a entrada no mercado, a Next Fit perdeu cerca de 70% dos clientes em apenas um mês com o fechamento das academias durante a pandemia de Covid-19.
Mesmo diante da queda, a empresa manteve a meta estabelecida para aquele ano: chegar a 500 clientes.
“A meta a gente não mexe. O que muda é o plano”, disse, à época, o fundador Douglas Waltricke. Meses depois, a meta foi batida na noite da véspera de Natal e, às 19h54min de 24 de dezembro de 2020, a Next Fit chegou ao número estipulado de clientes.
Ideia surgiu a partir da rotina das academias
A origem da Next Fit remonta ao fim de 2018 e início de 2019, quando Douglas atuava como consultor de marketing, vendas e gestão para academias, estúdios e boxes. Foi durante o contato com esses estabelecimentos que ele identificou dificuldades que se repetiam na administração dos negócios.
Na época, papel, caneta e planilhas ainda faziam parte da rotina de boa parte do setor. Segundo Douglas, tarefas como prescrição de treinos, avaliações e controles administrativos poderiam consumir entre 40 e 50 horas por mês dos profissionais.
A análise do mercado também mostrou espaço para uma nova ferramenta. Apesar do número elevado de academias e negócios esportivos existentes no Brasil, as principais empresas de tecnologia do segmento ainda atendiam uma parcela relativamente pequena desse universo.
A partir disso, Douglas e os sócios Guilherme Waltricke e Luiz Otávio Gava começaram a desenvolver uma plataforma que concentrasse diferentes etapas da gestão e, principalmente, fosse simples de usar.
A primeira versão levou cerca de seis meses para ficar pronta. O chamado MVP, produto mínimo viável, reunia prescrição e biblioteca de treinos, avaliações físicas, gráficos e relatórios de gestão, além de um aplicativo básico para os alunos.
Os testes foram realizados com academias e outros negócios de Criciúma e região. Parte deles já fazia parte da carteira de clientes das consultorias prestadas por Douglas, o que permitiu testar as funcionalidades diretamente com quem utilizaria o sistema.
O próprio fundador ficou responsável pelas primeiras vendas e fechou pessoalmente os primeiros 100 clientes da Next Fit.
Pandemia fez empresa perder 70% dos clientes
A primeira grande crise veio justamente quando a empresa pretendia acelerar a operação. Com as restrições impostas pela pandemia em 2020, academias e estúdios fecharam as portas e passaram a reduzir despesas. Em aproximadamente um mês, a Next Fit perdeu 70% da base de clientes.
Durante o período, a equipe concentrou esforços no desenvolvimento do software e criou ferramentas que permitissem aos estabelecimentos manter parte dos serviços mesmo à distância, como a prescrição de treinos.
A pandemia também acelerou a digitalização de um setor que, até então, apresentava resistência à adoção de novas tecnologias. Com a retomada das atividades presenciais, a empresa recuperou clientes e encerrou 2020 com os 500 contratos previstos no planejamento. A partir daí, a operação passou por um processo de expansão nacional.
De R$ 10 milhões a R$ 250 milhões
Em 2021, a Next Fit recebeu o primeiro aporte, de R$ 1 milhão. Naquele momento, a empresa tinha entre 10 e 15 funcionários e era avaliada em aproximadamente R$ 10 milhões. Cinco anos depois, a avaliação está entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões.
O crescimento também aparece na estrutura. A empresa passou de uma equipe que chegou a trabalhar em uma sala de cerca de 10 metros quadrados para mais de 250 colaboradores. A plataforma atende hoje quase 18 mil negócios fitness e esportivos e reúne mais de 2 milhões de alunos ativos.
Parte da estratégia para sustentar a expansão passou pela padronização dos processos internos. A empresa criou treinamentos e playbooks para reduzir a dependência de profissionais com experiência prévia e ampliar a formação de novos funcionários dentro da própria operação.
A contratação era um dos desafios de manter uma empresa de tecnologia em Criciúma. Nos primeiros anos, a Next Fit chegava a receber entre 700 e 800 currículos nos melhores meses. Atualmente, conforme a empresa, são mais de 4 mil por mês.
De Criciúma para a América Latina
Mesmo com a expansão nacional, a sede permaneceu em Criciúma. Segundo Douglas, estar fora dos principais polos de tecnologia trouxe dificuldades principalmente na busca por profissionais especializados, mas também permitiu utilizar a qualidade de vida da região como argumento para atrair trabalhadores de outros Estados.
Agora, a empresa se prepara para levar a operação além do mercado brasileiro. A Next Fit projeta dobrar de tamanho até 2028 e tem a expansão para países da América Latina entre os próximos passos. O crescimento deverá ser acompanhado pela ampliação da equipe, principalmente em áreas ligadas a vendas e tecnologia.
A internacionalização marca uma nova etapa para um negócio que começou testando um software com academias de Criciúma e região e que, hoje, atende estabelecimentos em todo o país.
