Sem garçons, mesas ou cadeiras e com apenas um sabor no cardápio, uma lanchonete tradicional transformou a simplicidade em um modelo de negócio que atravessa gerações. Servindo fatias rápidas de pizza de mussarela, com preço atual de R$ 5, diretamente no balcão, a operação atinge a marca de cerca de mil vendas diárias. O faturamento chega R$ 280 mil por mês, e foi alcançado justamente apostando na repetição exata da mesma receita há mais de seis décadas.
FOTOS: O segredo da pizza invertida que atravessa gerações há 60 anos
Origem da Pizzaria Dom Bosco
Inaugurada em 1960, a trajetória da Pizzaria Dom Bosco começou na quadra CLS 107 Sul, em Brasília, acompanhando os primeiros anos da Capital Federal. O fundador, o mineiro Enildo Veríssimo Gomes, natural de Bambuí, aprendeu o ofício de massas na adolescência em Araxá (MG) antes de migrar para o Centro-Oeste durante as obras de construção da nova cidade.
No início, o comércio vendia salgados variados para atender trabalhadores e primeiros moradores da região. A pizza entrou no cardápio após o pedido de um cliente regular. Os primeiros testes incluíam presunto e calabresa, mas os ingredientes ressecavam com rapidez na estufa de vidro. A opção por manter apenas o queijo mussarela foi adotada em definitivo pela capacidade de conservar a textura e o sabor por mais tempo após sair do forno.
Pizza invertida e consumo no balcão
A montagem do produto guarda uma característica técnica específica. O que ficou conhecido como “pizza invertida” refere-se à ordem dos ingredientes antes de assar: a massa recebe primeiro a camada de queijo mussarela e, por cima, o molho de tomate temperado com orégano. O método foi adotado para evitar que o queijo ficasse esbranquiçado no forno, garantindo uma aparência vermelha e uniforme.
Entre os clientes, a expressão ganhou outro uso na hora do consumo. O hábito mais frequente no balcão é dobrar duas fatias com o recheio voltado para dentro, criando uma espécie de sanduíche que impede o queijo quente de escorrer e elimina a necessidade de pratos ou talheres.
Roteiro turístico e expansão das unidades
A rotina de produção segue os mesmos métodos do início das atividades, com fidelidade aos fornecedores e insumos originais. Servida no papel e acompanhada por mate batido ou refrigerante, a fatia tornou-se ponto de parada habitual.
A unidade pioneira também se beneficia do fluxo turístico da mesma quadra onde fica a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, a Igrejinha projetada por Oscar Niemeyer, atraindo visitantes de fora do Distrito Federal. Ao longo dos anos, a operação expandiu a marca e hoje conta com oito endereços em regiões como Asa Norte, Lago Norte, Sudoeste, Guará, Águas Claras e no Aeroporto Internacional de Brasília.
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*Com edição de Luiz Daudt Junior.









