Nova rota da soja vai atravessar floresta ameaçada entre Brasil e Bolívia com aval de magnatas do agro

Corredor rodoviário com 129 quilômetros de extensão já tem obras em andamento e visa facilitar logística do agronegócio entre os dois países; entenda o que está em jogo

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Nova rota da soja entre Brasil e Bolívia levanta preocupação em área que sofre com perda florestal (Foto: Banco de Imagens; Reprodução, Fazendas Milanesi Buriti)

A assinatura de um acordo para construção de um corredor rodoviário entre Bolívia e Brasil deve aumentar a integração do agronegócio em uma nova rota da soja. O termo de cooperação proposto pelo presidente boliviano, Rodrigo Paz, prevê 129 quilômetros de extensão em uma ligação entre os dois países.

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A estrada vai conectar San Ignacio de Velasco, na Bolívia, à Vila Bela da Santíssima Trindade, no Mato Grosso. Do lado brasileiro, as obras já estão em andamento. O novo trajeto, contudo, levanta preocupações sobre o potencial impacto na Floresta Chiquitana, o maior ecossistema de floresta tropical seca da América do Sul.

Entenda o impacto ambiental da nova rota da soja

San Ignacio de Velasco abriga 3,4 milhões de hectares de cobertura florestal, representando cerca de 6,2% do total da Bolívia. A região, porém, vem sofrendo uma pressão ambiental ao longo dos últimos anos.

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  • Entre 2017 e 2023, 324.275 hectares foram desmatados no município, representando quase 15% do desmatamento total na Bolívia, segundo dados do Instituto de Pesquisas Socioeconômicas (IISEC).
  • 52% do desmatamento ocorreu em propriedades privadas ou de médio porte, enquanto 36% afetou terras públicas, segundo informações do Diário Uno.
  • Os registros do Global Forest Watch colocam a Bolívia entre os países com maior perda de floresta tropical no mundo, sendo a Chiquitania a área mais afetada da bacia amazônica.

Veja fotos da Rota Bioceânica, que ligará Brasil e Paraguai

O que está em jogo para Brasil e Bolívia?

O projeto tem apoio de líderes do agronegócio, como Eraí Maggi, conhecido como “rei da soja”. A rota deve facilitar a chegada de capital brasileiro em terras bolivianas para expandir o cultivo de soja.

Quando os dois lados estiverem concluídos, a rodovia deve permitir que a Bolívia tenha um acesso mais rápido ao oceano Atlântico, por meio de Porto Velho. Ao mesmo tempo, o Brasil ganha uma nova rota para chegar ao oceano Pacífico, passando pelo território boliviano.

Produtores rurais de Mato Grosso também poderão comprar ureia diretamente da Bolívia, um dos fertilizantes mais usados no mundo. Atualmente, o produto é importado da Ucrânia. Já a Bolívia poderá transportar seus produtos e retornar com caminhões carregados de soja para abastecer indústrias de produção de óleo.

O projeto também prevê a instalação de um posto aduaneiro alfandegado, com o objetivo de fortalecer as relações comerciais entre Brasil e Bolívia e contribuir para o desenvolvimento da região.