A intensificação do El Niño, previsto para os meses de novembro, dezembro e janeiro, também pode provocar impactos na economia, com efeitos sobre a produção de alimentos, preços e gastos para recuperar áreas atingidas por eventos extremos.
Anos em que o fenômeno acontece costumam ser marcados por escassez de alimentos e aumento de preços. De acordo com informações do Fantástico, isso acontece porque as secas, enchentes e ondas de calor, intensificadas por causa do El Niño, podem prejudicar plantações e provocar perdas na produção.
E todos esses problemas podem chegar ao consumidor, já que com uma oferta menor de determinados alimentos, os preços tendem a subir.
Clima extremo prejudica a produção
Os efeitos econômicos não ficam restritos ao campo. Os resultados do fenômeno também podem destruir estradas, casas e outras estruturas, exigindo grandes investimentos para reconstrução.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, as chuvas de 2024 provocaram mais de 100 deslizamentos em um trecho de 20 quilômetros de estrada, segundo o Fantástico. Cerca de R$ 700 milhões foram gastos em obras de reconstrução e, dois anos depois, a estrada ainda permanece em obras.
Além disso, quando eventos climáticos reduzem a oferta de alimentos, o efeito pode aparecer nos preços para o consumidor, seguindo a “lei da oferta e da procura”.
“O El Niño mexe principalmente com o clima e, quando ele muda, a economia sente: agricultura, energia, transporte e até o comércio podem ser afetados. No mundo, o efeito pode se espalhar pelas cadeias de produção e comércio, influenciando preços de alimentos, commodities e até a inflação de diferentes países” afirma o professor de Economia e Finanças, Edivan Junior Pommerening.
Segundo especialistas, esse conjunto de prejuízos pode afetar o crescimento econômico mundial, já que o clima extremo prejudica a produção, diminuindo oferta e encarecendo os alimentos.
“Se o clima prejudica uma produção, temos menos oferta disponível e, com a demanda permanecendo, a tendência é de aumento dos preços. É a velha lógica da economia: quando um produto fica mais escasso, ele tende a ficar mais caro, e o impacto pode chegar ao consumidor no supermercado. Além disso, o produtor também pode ter custos maiores com recuperação de lavouras, transporte e insumos, ajudando a pressionar ainda mais os preços”, diz o especialista.
El Niño pode ser um dos mais intensos das últimas décadas
Oficialmente não existe a classificação de “super El Niño”, mas o termo é usado popularmente quando o aumento da temperatura do oceano ultrapassa os 2°C acima da média. Em 1982 e 1983, o mundo foi surpreendido pelo que até então era o maior El Niño já registrado, segundo informações do Fantástico.
Entretanto, pesquisadores acompanham agora a formação de um possível “Super El Niño”, fenômeno que pode superar os estragos causados naquela época.
De acordo com o último relatório do Centro de Previsões Climáticas (CPC), organismo da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), “há 81% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte, durante o período de outubro a dezembro” deste ano.
O evento de 2026 pode estar “entre os eventos El Niño mais importantes do registro histórico” mantido pelos cientistas desde a década de 1950, segundo o g1.
“Os impactos continuarão sendo sentidos em 2027. Aliás, os piores impactos irão ocorrer no próximo ano”, explicou o professor Ángel Adames,do Departamento de Ciências Atmosféricas e Oceânicas da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC).
O El Niño em 10 passos
Em SC, Super El Niño deve chegar ao auge no fim do ano
Santa Catarina também deve ser afetada pelo fenômeno. O El Niño pode provocar chuvas excessivas ou períodos de estiagem, prejudicando safras, estradas e atividades produtivas, reduzindo a oferta e aumentando custos, segundo o professor Edivan Junior Pommerening.
Em 2026, o auge do fenômeno climático está previsto para os meses de novembro, dezembro e janeiro, segundo a Defesa Civil. No entanto, especialistas reforçam que a intensidade definitiva só poderá ser confirmada ao longo do ano.
Questionado sobre como a Defesa Civil classifica o cenário atual, o meteorologista Caio Guerra afirmou que o risco é considerado alto e preocupante, especialmente para o período da primavera, historicamente mais crítico em Santa Catarina. Apesar disso, ainda não é possível cravar a ocorrência de desastres climáticos no Estado.










