Reforma Tributária muda regras para médicos, advogados e engenheiros que trabalham no CPF a partir de 2027

Mecanismo do novo IVA exige cadastro para autônomos e barra isenção de profissionais regulamentados no Estado; entenda o impacto financeiro

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A partir de 2027, profissionais liberais em Santa Catarina deverão adotar o CNPJ técnico atrelado ao CPF para a cobrança do novo IVA. Foto: Shutterstock

A implementação da Reforma Tributária trará um desafio operacional inédito para quem atua fora do modelo CLT ou de empresas constituídas. A partir de 1.º de janeiro de 2027, profissionais liberais que prestam serviços na pessoa física serão obrigados a adotar o chamado CNPJ técnico. Trata-se de uma identificação atrelada ao CPF para viabilizar a cobrança da CBS e do IBS no novo sistema de Imposto sobre Valor Agregado (IVA).

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O “nó” jurídico que trava a isenção para quem ganha menos

O ponto de maior atenção para médicos, advogados, engenheiros e dentistas em início de carreira ou com faturamento reduzido está nas regras de exceção. A lei criou a figura do nanoempreendedor, dispensando do cadastro quem fatura até R$ 40,5 mil por ano.

Contudo, a legislação vincula o benefício às vedações do MEI tradicional. Na prática, como o exercício de profissão regulamentada é vedado ao MEI, esses profissionais ficam impedidos de utilizar a faixa de isenção. Mesmo que um médico ou advogado fature menos de R$ 40,5 mil no ano via CPF, a emissão de nota fiscal sob o CNPJ técnico será obrigatória.

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Ficam fora da exigência apenas trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados, recebedores de aluguéis ou dividendos e produtores rurais pessoas físicas com receita anual de até R$ 3,6 milhões.

Plataforma em 2026 e cálculo por “apuração assistida”

A abertura do CNPJ técnico não exige contrato social, registro na Junta Comercial nem alteração na responsabilidade civil do profissional. A Receita Federal prevê liberar o sistema totalmente digital e simplificado, nos moldes do portal do MEI, a partir de novembro de 2026 para fase de testes.

No momento do recolhimento, o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) via Carnê-Leão permanece em vigor. A novidade fica por conta da apuração assistida do IVA: ao emitir a nota fiscal eletrônica, o sistema do governo calcula automaticamente os débitos do imposto e abate os créditos gerados por custos com insumos e ferramentas de trabalho.

A legislação garante diferenciação de alíquotas para categorias estratégicas:

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  • Profissões regulamentadas (advocacia, engenharia): desconto de 30% na alíquota padrão do IVA.
  • Serviços de saúde (médicos, dentistas, psicólogos): redução de 60% na alíquota do IVA.

Pressão no planejamento: vale a pena migrar para PJ?

A chegada do registro altera a conta de viabilidade de quem prefere manter os atendimentos no CPF. Por passar a rastrear todas as operações de consumo da pessoa física, o sistema tende a onerar quem possui poucas despesas dedutíveis para gerar créditos fiscais.

O cenário deve acelerar a busca por formalização via Pessoa Jurídica (como Simples Nacional ou Lucro Presumido). Embora a contratação de contador não seja exigida por lei para criar o CNPJ técnico, a complexidade do novo IVA torna o suporte técnico indispensável para evitar pagamentos duplicados ou perda de créditos abatíveis.

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*Com edição de Nicoly Souza